…e agora Brasil? (Poema Social)

… E AGORA, BRASIL?

(Baseado no Poema “José” de Carlos Drummond de Andrade) – Brasil, Outubro 2018

 

“E agora, José?//A festa acabou//a luz apagou//o povo sumiu//a noite esfriou//e agora, José?(…)//você que é sem nome//que zomba dos outros//você que faz versos//que ama, protesta?(…)//está sem discurso//já não pode beber//já não pode fumar//cuspir já não pode(…)//a noite esfriou//o dia não veio//o bonde não veio//o riso não veio//não veio a utopia//e tudo acabou//e tudo fugiu//e tudo mofou(…),//E agora, José?//Sua doce palavra//seu instante de febre//sua gula e jejum//sua biblioteca//sua lavra de ouro//seu terno de vidro//sua incoerência//seu ódio — e agora?//Se você gritasse//se você gemesse(…)//Sozinho no escuro//qual bicho-do-mato(… )//sem cavalo preto//que fuja a galope//você marcha, José!//José, para onde?//

………………………………………………………………………….

 

… E agora, Brasil?

E agora, mané

Você quer fugir

Fugir para onde?

Pasárgada não há mais

Nem Shangri-lá

Só a Disneylândia

Para onde os fascistas vão

Comprar fantasias de Patetas

Depois de votarem no João-Bafo-de-Onça et caterva…

 

…E agora Brasil?

E agora, José

Você quer morrer

Já morreu por dentro

Democracia não há mais

Nem inclusão social

Nem justiça que preste

E agora, José, e agora você

Como cantou o Poeta Drummond

O sonho acabou; só há ódio, violência e medo…

 

E agora, Brasil?

E agora, Zé Ruela

Você quer ir embora

Mas não tem lugar para onde ir

Nem mesmo se esconder

Nem paz, nem alegria

Sequer uma utopia

Você está ferrado e sabe

O fascismo já venceu, e agora

O que seria uma enorme Portugal, será uma Venezuela…

 

E agora, Brasil?

E agora, sabido

Você quer votar

Mas só tem fake-news

E as infovias efêmeras

Mentiras, difamações

E há o bezerro de ouro

De uma mídia abutre, da corja

Com Supremo com tudo; agiotas

Você está condenado a perder direitos sem berrar…

 

…………………………….

Você quer fugir

(Me escondo na Poesia)

E corre risco de pirar

Sem terra prometida,

Sem leite e sem mel

Apenas a banalidade do mal

Que parvo elegeste, feito bucha de canhão

O seu porte-de-armas renovado

O passaporte carimbado para o meteoro

O Brasil acabou, e agora José? E agora, Brasil? E agora?

-0-

 

Silas Correa Leite – Fascismo não é opiniao

Poema para introdução do livro FASCISMO CONTEMPORÂNEO BRASILEIRO

A ser escrito pelo autor

E-mail: poesilas@terra.com.br

http://www.patrialatina.com.br/o-brasil-acabou-resta-uma-republiqueta-de-impunes-canalhas-neoliberais/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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