PENSATA: Estou do lado dos que merecem respeito – Silas Corrêa Leite

PENSATA

ESTOU DO LADO DOS QUE MERECEM RESPEITO…

 

-… desde muito pequenino ainda, mesmo precoce, birrento e pidão, mas sentidor e eterno aprendiz da alma humana, por assim dizer, era tachado de encrenqueiro. Encrenqueiro por lutar contra injustiças, por ver o lado humano (ou pouco humano) dessa ‘gentehumana’ que errava por circunstâncias de percurso ou não, situação de aprendizado ou não e era criticada, ou não, punida, ou não, então, cedo me descobri, pobre de mim, isso e assim mesmo: poeta dos fracos e oprimidos, talvez um defeito de fabricação, do DNA… do meu amor e de solidariedade aos aleijados por dentro, aos excluídos sociais, aos pequeninos… bem-aventurados… do meu respeito e respaldo às mulheres guerreiras, aos negros, aos pobres, aos nordestinos, aos animais, aos excluídos sociais…

-… desde muito jovem ainda que amava os Beatles e Tonico e Tinoco e já escrevendo a escurez da vida, minha visão não era para os possuídos, de um país que só era rico para os ricos, para os brancos, para os estrangeiros, para uma elite insensível e inumana, corrupta, mas não para os pobres que ficavam às margens do caminho, e cedo comprei briga, desde a minha cidade para os que eram discriminados, mulheres que eram despossuídas de afeto social, essa gente humilde da qual sou originário e amo tanto, pensando num país que realmente tivesse uma politica em que o chamado povão fosse realmente a razão de ser do que preconiza o próprio direito constitucional, de que diz na carta magna que o poder emana do povo (todo o povo) e em seu nome deve ser exercido…

-… depois, em sp, lutando contra as misérias do cotidiano, passei fome, dormi na rua, lutei pela sobrevivência possível e fui perseguido por ser contra uma ditadura financiada pela corrupção paulistana e brasileira, perdi emprego, perdi bolsa de estudos, à época também perdi meu talentoso e artista patriarca que era justo e honesto, muito correto, fui fichado nos porões dos podres poderes amorais do regime de exceção, mas eu sempre soube e sinto e sei de que lado da barricada estava e estou, os miseráveis…

-… formado, trabalhei na área de direito, e saquei com muita dor no coração e tristeza na alma que nesse país justiça é só para ricos e poderosos…. Para os pobres a vergonha, a humilhação, a desonra, os processos por dizer verdade que provocam fichas sujas de gente inocente e fichas limpas em corruptos e ladrões como em Samparaguai, o estado máfia, de muitos lucros impunes… riquezas injustas (como falou São Lucas), propriedades roubos… muito ouro e pouco pão…

-… fui reger aulas e me encontrei no humanamente possível, plantando mudanças, enchendo o coração dos alunos de sonhos, vivenciando finalmente um lado sentidor na prática presencial, formado, aflorado, e o lado da busca pela justiça batendo forte, contra autoridades que fazem do cargo a vida afetivo-emocional porque mal amadas, e que precisavam tomar remédios para dormir, porque quem precisa de poder, status, cargo, diploma hierarquia para se sentir importante, poderosa ou dona da verdade, está precisando de tratamento e muito amor, já que não há hierarquia na grossura… e a maior vingança é ser feliz…

-… por essas lidas da justiça, ou falta de, sonhos, poemas, baladas e prosas, vim-me aprendendo, lutando contra a dor dos outros, me colocando no lugar do outro, a mulher perseguida, o negro discriminado, o subalterno oprimido, o índio caçado, o morador de rua abandonado, o excluído social, o velhinho desprezado, a criança não provida… A alma humana é a minha praia…

-… assim, perdoem caros amigos, em qualquer lugar onde houver uma mulher sendo atacada, perseguida, xingada, eu estarei de prontidão com minha metralhadora dialética cheia de lágrimas para defendê-la. Sou feministo? Onde houver um perseguido, lá estarei poeta sem lenço e sem documento com minha bandeira de luta buscando por justiça ainda que tardia, lá onde houver um caboclo, um favelado, um negro, um pobre, sou eu, sou esse, brasileirinho. Nunca me esquecerei do lugar que vim e o que sou… Não me mudei de lugar, não corrompi e nem fui corrompido pelo sistema corrupto, não me mudei de mim, não estive nunca ao lado do opressor, do explorador, do que acha que é o que não é, do que pensa que pensa… do que xinga (sem caráter e sem educação), ofende sem conhecimento historial, porque ouviu o galo fascista e conservador cantar e não sabe onde, talvez um mero cérebro receptáculo de uma mídia suja e tendenciosa, e de uma sociedade injusta, discriminatória, falso-cristã, sem moral…

-… por isso perdoem meus posts, os que compartilho, as falas, o que crio no açodado da dor entre a ferida e a cicatriz, não posso deixar de ser porta-voz não remunerado dos fracos e oprimido, não melhorei de vida a não ser sendo um rebelde a estudar muito feito um louco, trabalhar feito um determinado, não logrei ninguém, não fiz malfeitos no meu trampo, não pilhei ninguém, não levei vantagem em nada, e quando alguém brinca de perguntar se estou rico, respondo que estou digno… as mãos limpas do sangue desses que sonham um Brasil de todos por todos… pátria-nação, pátria-mãe…

… assim, perdoem se eu sou um sonhador. Minha mulher diz que exercito bem a minha cidadania ético-plural-comunitária. Meus amigos dizem que sou um defensor de causas perdidas, que sou um exército ao lado deles, meus inimigos dizem que se eu fosse malandro, mau caráter, corrupto, ladrão, interesseiro, dissimulado, engolisse sapos em família e no meu meio de trampo, menos bocudo (falso e dissimulado) e de direita, já seria deputado, estaria podre de rico na vida. Mas, afinal, o que somos nós?

-… “cada   quá com seu picuá”, diz um adágio popularesco de Itararé, minha terra-mãe. O guri que começou a trabalhar cedo, nunca foi vagabundo, foi engraxate, boia-fria, vendedor de sorvete, garçom, e que uma professora anjo o tornou poeta de meia tigela, ainda carrega a sua cruz, a sua luz, a sua briga por utopias, acreditando na arte como libertação, acreditando no amor ao próximo sempre por inclusões sociais, em defesa dos fracos e oprimidos, dos negros, dos favelados, das mulheres-bandeiras desse Brasil de tantos canteiros e florações…

-… quando a morte vier me buscar; ou se eu morrer amanhã de amanhã, pois bem, digam que eu lutei contra moinhos e ventos, ilusões humanas, que sonhei a esperança como inteligência da vida, que fui um plantador de sonhos, e que acredito sempre na força da mulher brasileira – tive ótimos referenciais em família, na escola e entre amizades zenboêmicas – que acredito na força do negro que canta e vibra e busca justiça social, que sou um pobre coitado que se aventurou de ser um sonhador de causas justas e que não se arrependeu, que não se vendeu, não se entregou ao malfeito, que morreu pelo sonho de uma verdadeira democracia social, de uma justiça realmente justa, de uma sociedade menos insensível e hipócrita, de uma nação verdadeira, no Brasil, no planeta terra, sonhando, pobre coitado, uma  GENTE HUMANA AINDA QUE TARDIA…

– SILAS CORREA LEITE

www.artistasdeitarare.blogspot.com/

 

Relatos de Um Certo “Gente”

 

Silas Corrêa Leite – Breve bibliografia

Educador, ciberpoeta, Jornalista Comunitário, blogueiro premiado, livre pensador humanista e Conselheiro diplomado em Direitos Humanos. Consta em quase 800 sites como Estadão, Noblat, Correio do Brasil, Usina de Letras, Daniel Pizza, Wikipédia, Observatório de Imprensa, Releituras, Cronópios, Aprendiz, Pedagogo Brasil, Jornal de Poesia, Convívio e LibeArti, Itália, Storm Magazine e InComunidade (Portugal), Brasil com Z (Espanha), Politica Y Actualidad (Argentina), Poetas del Mundo (Chile), Fênix (Moçambique), Literatas (Angola), Pravda (Rússia) outros. Publicado em mais de 100 antologias, até no exterior, como Antologia Multilingue de Letteratura Contemporânea, Trento, Itália; Cristhmas Anthology, Ohio, EUA e na Revista Poesia Sempre/Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro (Ano 2000/Gestão Ivan Junqueira). Autor entre outros de TIBETE, De quando você não quiser ser gente, romance, Editora Jaguatirica, RJ; GOTO, A lenda do Reino do Barqueiro Noturno do rio Itararé, Romance, Editora Clube de Autores, SC, e Gute Gute, Barriga Experimental de Repertório, Romance, Editora Autografia, RJ

Anúncios