Degradação – Poema de Silas Correa Leite

 

Degradação

“O mundo é um palco, os homens e as mulheres meros atores que têm suas entradas e saídas. E todo ser humano, ao longo da vida, interpreta muitos papéis…” – William Shakespeare

Não quero A febre agônica do meu tempo. Ah a angústia e o pavor diante do terrível peso da existencialização. A degradação da alma… (A minha nascença fatalizada faço doer em poemas) Ah as pessoas atrás das máscaras (Ah os conflitos, os desregramentos!) O portentoso desejo de sempre estar criando, criando, criando… Pairando sobre as nódoas humanóides. Tento afastar meus fantasmas de perto de mim. Não quero a ração dos deuses. Não há luz no porão. O sótão está vigiado. Esgoto-me numa existencialização efêmera, tediosa, torpe, vulgar… Só a poesia tem piedade de mim. Calço sapatos marrons feito de raízes secas de laranjeiras amargas. Não quero meu tempo, tempo algum, vegeto A poesia me livra de mim mesmo E liberta-me do ponto negro do meu espírito.

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Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras, Chuvas, Janeiro 2010

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