Quem Tem Medo de Olga Savary na Academia Brasileira de Letras?

Artigo/Opinião :

Olga Savary: Quem Tem Medo Dela na Academia Brasileira de Letras?

A maior escritora brasileira atualmente é Olga Savary. No mesmo nível de Hilda Hist, Clarice Lispector, Marina Colasanti (para dizer o mínimo), pois estas estão pra mim no mais edificante patamar da maravilhosa qualitatividade letral. Já pensou? Curtindo Olga Savary tinha eu, cá com meus botões, que ela já era e fazia tempo da bendita Academia Brasileira de Letras. Desantenado? Errei feio. Pois não é que é? Bem, ela estar na ABL pelo histórico handicap lítero-cultural que tem, seria uma honra. Mas uma baita honra mesmo lá para a Academia. Aí o leitor desavisado perguntaria: mas, o que mesmo que a Olga Savary é no contexto literário do Brasil? O problema mesmo não é o que ela é, mas o que ela não é, quero dizer, ela faz de tudo, além de ser humanamente dizendo uma tremenda Poeta, talvez a melhor do Brasil desde 1500. Pois aí que está a questão: se ela é tudo isso que ela é mesmo, por que ainda então não pintou de fardão e se eternizou na Academia Brasileira de Letras?. Fiquei de butuca: quem tem medo da Olga Savary? Pois é, se ela tem um currículo que, valha-me Deus, é o melhor femininamente falando em terra de santa cruz que virou afrobrasilis, então, cara pálida, qual é mesmo o impedimento letral? Tá certo que o Brasil é de, às vezes esquecer seus mitos, principalmente nesta época de inumano e amoral neoliberalismo de tantas (mais) riquezas injustas, lucros impunes, contrastes sociais, propriedades roubos (e sampa com seu capitalhordismo atucanado agoniza); tá certo que o Rio de Tantos Carnavais tem seu, argh!, Cesar Maia que oscila entre um nada e um ninguém, mas, convenhamos, esquecerem a Olga Savary e, a turma toda da ABL não ir de mala e cuia, na casa dela, em Copacabana, bem aparamentada, convidá-la em coro (e com orgulho), para a honra de tê-la na ABL, aí já é demais. Acredite se quiser. Poeta, Contista, Ensaísta, Tradutora, Jornalista, Crítica, Literata, Palestrante, Curadora, Depoente, Personagem Em Livro, Personagem Viva de Nosotros Que A Amamos Tanto (amalgamados afrobrasilís de tupi-davidicos), Verbete, Copiada, Adorada, Consultada: faz Orelhas, Prefácios, Resenhas, Saraus, Catálogos, Músicas, e, se precisar, periga ver, ela Voa… e ainda não pintou para literalmente ilustrar a ABL? O que é que é isso, companheiros? Onde já se viu? Tem cabimento? Vamos fazer uma Marcha Pela Olga Savary na ABL. Tipo “Olguistas unidos/Jamais serão vencidos!” Russa e brasileiríssima pela própria natureza de ser livre e água, nordestina e acariocada, ela mesma é a alma mutante do brasileuropeu. Russa-amazônica, com sua poesia água e sua alma sextante. E os direitos humanos da Olga Savary no palco iluminado da ABL? Uma mulher do quilate da Olga Savary valoraria em muito a ABL. Ela é a grife da literatura brasileira, da poesia brasileira, nesse macadame de significâncias históricas. Nesses tempos de um brilhante Lula Light e o Brasil no auge como nunca, a maior dose de brasilidade que a nossa cultura tem é fulgurada no coração lítero-cultural de Olga Savary. E não existem outras. Olga não pede para entrar. Ela é iluminura em si mesma. Ela não é como uma escola de samba que pede passagem. Ela é ponte entre o mérito e a conquista. Está faltando o quê? Ela não precisa gastar dinheiro para fazer sala para os que a indicarão pelo voto. Ela é voto líquido e certo. A paixão dela pela arte literária a qualifica, quase que a santifica. Como a alma brasileira é feminina, Olga Savary é essa alma, essa cara, essa aura, pois luta ainda e muito, produz, escreve, se consome noiteadeira nas lides de escrever, por isso também que é o nosso maior nome para ser expresso como uma grife na Academia Brasileira de Letras. Será o impossível? Eu acredito em sonhos. E em lutas. Mas, será tão difícil assim?. Uma escritora portentosa como ela, não pode ficar de fora. Se ela vai para o décimo-nono livro; se tem 36 prêmios de renome, se é famosa no mundo inteiro, em todos os continentes, referência até como avaliadora de todos os nossos consagrados escritores de todos os tempos, se participou de 950 livros, é de se espantar que ainda não seja agora e assim mesmo no belo e empolgante açodado do momento, uma convidada de honra para lá se assentar, na Academia de Letras, e finalmente e mais do que ninguém, tornar-se imortal. Machado de Assis se sentiria honrado.
-0-
Silas Corrêa Leite, de Itararé-SP, Santa Itararé das Letras
Teórico da Educação, Jornalista Comunitário (ECA/USP), Escritor (Poeta, Ficcionista, Ensaísta, Romancista), Conselheiro em Direitos Humanos (SP)
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Prêmio Ligia Fagundes Telles Para Professor Escritor
Autor de ‘O Homem Que Virou Cerveja”, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, 2009, Salvador, Bahia, no prelo, Giz Editorial
Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos Premiados, Editora Design, finalista do Prêmio Telecom, de Literatura, Portugal
E-mail: poesilas@terra.com.br Site: http://www.itarare.com.br/silas.htm
Blog premiado do UOL:
http://www.portas-lapsos.zip.net

Texto da Série “Brasil: Panurgismos, Bravatas e Prosopopéias Jugulares” – Ensaios, críticas, resenhas e Pensadilhos (livro inédito do autor)

Outros Poemas de Silas Correa Leite

Outros poemas de Silas Corrêa Leite

 

  cavalosselvagnstres

 

 
C O I S A S

As coisas existem ante

s de nós
Apenas as continuamos
Ou não
O poeta mesmo com sua irrazão
É elo de continuação

As coisas sobrevivem depois de nós
– Além da razão –
As poesias mesmo
São eternas como cente

io, trigo, aveia
Grãos

As coisas existem dentro de nós
An
tes mesmo da concepção
Poemas nada mais são
Que íntimos aleijados
Querendo ser purificados
Nos escombros da perpetuação

 

 

 

 


M U L H E R

Você não sabe o que é
Dormir no escuro
O ras
te

jar do verme
No monturo
E a mulher grávida mentindo
Dizendo : – Eu juro !

Você não sabe o que é
Dormir no claro
O respirar do objeto
No íntimo faro
E a mulher tossindo verde
Dizendo : – É ácaro !

Você não sabe o que é
Dormir sentindo
O controlar do medo
De morrer dormindo
E a Mulher – Noite sorrindo
Dizendo : – Benvindo !

 

 

 

 


O A M O R

O amor é um parafuso
Que precisa preencher espaço
Ir além do buraco
E nele pregar a peça

O amor é um parafuso
Enferrujado, em desuso
E por mais que o meio meça
Falta sempre um cavaco

O amor é um parafuso
Pregado segura a arte
Ele vê de qualquer par
te


O dogma, o sândalo; o obtuso

O amor é um parafuso
Cuja a fenda é o apertar-se
Por isso ao amar – ao dar-se
Esqueça o cobrar. Use-o.

 

 

 

 


O P O E T A E O M A R

O mar
Carece de rochedo
Para se arrebentar
Um Poeta não
Carece de enfrentação

O mar
Carece de naufrágio
Para se aprofundar
Um Poeta não
Carece de navegação

O mar
Carece de oriente
Para se encontrar
Um Poeta não
Carece de arrebentação

 

 

 

 


R E V E L A Ç Ã O

Todo homem contempla seu Deus quando cria
Depois volta-se para a noi
te

vazia
De si mesmo, coitado

E chora constrangido e arrasado
Por não terem entendido
O que ele supunha
ter revelado
Na sua mais estranha e íntima poesia

 

 

 

 


Banzos

Esses meus banzos tropicais sem nexo
Escritos com sangue, como espirituais
A volúpia dos olhos com chuvas neles
E a sensação de estar sendo roubado

Esses meus banzos esquisitos como eu
A técnica da linguagem disforme
Os estranhos sintomas que me visitam
E o medo da faca cega da ilusão

Esses meus banzos com seus curtumes
Os perte

ncimentos que se desfazem
A voz atrás do espelho, o circo
E a corda bamba da decomposição

Esses meus banzos como canteiros
A minha expectativa de cárcere
O som que soa an
tes de existir
E as carpideiras do meu ser sem Ser

 

 

 

 


LIVRO DE MÁGOAS

Livro de Mágoas.
Ainda vou escrever um.
Quase um diário.
Desabafos, contradições,
teatro
E uma procura por mim
Nos porões de tras
te

s velhos de mim

Livro de Mágoas.
Carteiros, anjos e carpideiras.
Mil sofreguidões.
Alma contraditória e doen
te


Torturada por um misticismo
Cercado de dragões e arquétipos íntimos.

Livro de Mágoas.
Exercício de solidão, prurido.
Inventários e partilhas.
Cárcere, genuflexório, inconsciente
O drama de não se sentir.
Cavalos selvagens mortos a machadadas.

 

 

 

 


ESTRELA VAGA (CORAÇÃO)

Se queres a Estrela Vaga
E
tens um coração, traga
A tua cimitarra, a tua adaga
E o cor
te profundo da palavra
Origem

 

 

 

 


BOEMIA PELA PRÓPRIA NATUREZA
(Quase haikai)

O louva-a-Deus
Cheira
Cerveja Preta

 

 

 

 


CÁOS URBANO

Fechem as portas
Abram os olhos
Entreguem pra Deus
Os seus reclamos

Fechem os livros
Abram as mente

s
Tudo está pronto
Para os estágios

Fechem as grades
Sigam as placas
Usem os domínios
Para os escapes

Fechem os filhos
Tranquem os butins
É chegada a hora
O diabo está solto

……………………..

(Fechem os olhos
E atirem primeiro)

 

 

 

 


ÓTICA POSTUMA
(Poemeto quase haikai)

Ri-me
De mim
Quando vi-me
Verme

 

 

 

 


ANUNCIAÇÃO AURORAL
Para Jorge Luís Borges

Dentro da Avícola fechada
De madrugada
Um galo canta a mor
te anunciada

 

 

 

 


ANJONAUTAS

Os anjos, coitados
Quando tomam cervejas
Sen
tem-se apaixonados
(Os poetas não
São apaixonados de criação)

 

 

 

 


HORA DO ANGELUS

SEIS HORAS TROPICAIS
POUCAS NUVENS ESPARSAS
NO CUME DOS MANGUEIRAIS
AVE-MARIA CHEIA DE GARÇAS

 

 

 

 


TO BE

Ser poeta é a minha maneira
De chorar escondido
Nessa existência estrangeira
Que me
tenho havido

 

 

 

 


HABEMUS FLAGRAMENTHUS

Ela é tão certinha
Mas tão certinha
Que até parece coisa
De Eva Daninha

 

 

 

 


ANOS 60
_________________________

Fugi do colégio interno
Fugi do quar
tel inferno
Fugi da ditadura de gravata, farda, toga e
terno
E assim, poeta moderno
Me descobri
Ser Humano com pedigree

 

 

 

 


O AMOR SE INSTALA

Silenciosamente

como um ácaro
O amor se instala
E logo faz-se pleno e raro
Como cicatriz de bala

E abre em sensoriais, o faro
De fragrâncias em gala
(E como, assim, não tocá-lo
Desde quando se instaura?)

O amor é assim, cavalgá-lo
É no olhar dizer a aura
Fazer o peito cantar de galo
Como loucura – que não sara

………………………………………..

Silenciosamente e assim tão caro
O amor pede para amá-lo
E a paixão torna centauro
O ser louco. Por ser fauno.

 

 

 

 


ACERVO LASTRO
Para Carlos Nejar

Teus seres de orquestração terreal
Viven
tes – com árvores nas mãos
Tua arqui
te

tura de gracezas
Teus anjos barrocos – em moendas
     de sulcros sacros

Vozes e gestos; sais – iluminuras
Cânticos & betumes – bíblicos
Tuas palavras – campos de cente

ios
Em orquídeas velhas, tamarindos
     em quartzo-róseo

Descreveste as batalhas inglórias
(Personificações de calvários)
Amas
te os seres como pó, íntimos
Em porcelanas de ritos em transes
     (ninhais &
te

xtamentos)

Teu imaginário estúdio, liturgia
Graças te damos pelos manuscritos
Anjo Nejar, de próprio punho, ícaro
De própria asa-pandora, lírica
     acervo e lavra: butim

 

 

 

 


LUZES DA RIBALTA

Desconfio
Viver não é atravessar a pon
te
Mas se atirar no rio

 

 

 

 


HAVÊNCIA

0l
nunca me deixaram ser nada
que nunca quis ser

então eu me existi no escrever
cada mar, horizonte

e ilha
02
depois da poesia decantada
em que me fiz crer

então me chamaram pra dizer
prelúdios, plantações e ícones
03
nunca fui nada – nada sou
não me ensinaram o aprender?

minha poesia é minha estada
nessa havência de inquerer

……………………………………………..

quem quiser, assim, me conhecer
basta esquecer-me (não sou nada)

e então, me Ler!…

 

 

 

 


INFINITUDES

Eu moraria em te

ndas
Como um escorpião

Mas me deram um arranha-céu
Na mão

Eu moraria em desertos
Como uma religião

Mas me deram endereços fantasmas
No chão

Eu moraria em galáxias
Ou numa outra dimensão

Mas me ensinaram a fuga na poesia
E EU APRENDI A LIÇÃO

 

 

 

 


NARCISO

toma conta de mim
faz meu chá de arroz

depois – muito além de depois
despe-me como se fosse ver-me

toma conta de mim
faz-me um afago no ego

e deixa que eu me aceite assim
estrangeiro em
te

u ver disforme

toma conta de mim
faz-me essa caridade

aceita-me como sou, como vim
um zero além do polimento da metáfora

toma conta de mim
lava minhas feridas íntimas

veste

-me de barro e alecrim
para que eu mereça a câmara de vestígios

toma conta de mim
e ama-me como sou
simples, feio, triste e pobre assim

 

 

 

 


O HOMEM-CAMINHO

O homem sempre pode ser
Um homem e um caminho
E então esse homem-caminho
É verdadeiro em seu saber
Pois respira pelos seus
calcanhares
Peregrino a querer
Não só o amor
Ou a aventura filosofal dos ares
Mas até o sofrer
Por isso o Homem-Caminho
É verdadeiro
No seu ser-estar-permanecer
(Mesmo sozinho)
Como se de si mesmo estrangeiro
Mas infinitamen
te a crescer

 

 

 

 


PARAFRASEANDO MAIAKOVSKI
Para Carlos Nejar

Que o meu bom Deus me proteja
Mas não
tem remédio
Prefiro morrer de poesia e Cerveja
Mas não de tédio.

 

 

 

 


ORQUIDÁRIO
Para Leila Chueri

A lição da orquídea
É per
te

ncer-se à matriz
Que dela extirpa a cor
Como quem se mutila

A oração da orquídea
Não cabe no Ser raíz
Que dela explende a cor
Como quem se realiza

A lição da orquídea
É ser flor – não feliz
Por isso fenece logo
Depois que se eterniza

 

 

 

 


DUELO

Pra fazer poesia pura
Só preciso de fermento
É quando o íntimo se cura
O Ser de si lá dentro

Ajuda cerveja escura
Na gaiola de cimento
(Pra fazer Poesia Pura
Silêncio tem documento)

 

 

 

 


Animal

Gordo como um porco
Bêbado igual um gambá
Torpe como um corvo
Feio como tamanduá

Triste como um peixe
Sujo como um elefan
te
Pobre como uma hiena
Pétreo como rinoceron
te

Simples como um te

xugo
Roto como um mulo
Amargo como um sapo
Finito como um chacal chulo

No entanto ele vegeta
Muito mais animal
Bode metido a poeta
Blues etílicos tal e qual

 

 

 

 


Cássia Eller
In Memoriam

a gilete

cega descansa
agora, sobre o espelho

não ha vazios de restos
nem olhos ávidos de tremor

dorme a louca varrida
porcelana xadrez no íntimo

não querendo ser, foi
fêmea em si bem fatale

homem-menina, berrou-se
em canto de cisne louco

a bicha-grilo, Eller, ia
tocando pulsos em bemóis

caída no chão, flor-
de-ir-embora, Voa, Cássia!

 

 

 

 


Paquidermes

Somos tolos paquidermes
Com velas enfurnadas
Esperando ventos caseiros
Para uma aventura bêbada
Ao redor do quar
te

irão

Somos tolos paquidermes
Com trevas nas finas mãos
Procurando calma pra se coçar
Embaixo de uma bananeira
Que já deu goiaba em lata

Somos tolos paquidermes
Com lâmpadas de petróleo
Coçando berebas imaginarias
Tirando tatus do nariz
Sonhando Ícaros e Crusoés

 

 

 

 


Estação Sorocaba de Itararé

Fui te esperar
Na estação
Você veio. O Trem não

 

 

 

 


DOS POMBOS
Para a Memória de Vlado, Santos Dias, Henfil e Angélica

Posso escutar o sussurro das grandes estátuas de marechais
Reclamando da titica de pombos alvissareiros que, por décadas
Pes
teiam o seu mármore mais oliva – de vilezas históricas
E
te

nho muito pena
Da bosta
Dos pombos

Estatuas de ditadores, generais, de outros vermes e estrupícios
Todos ganhando o verde húmus das fezes caindo do céu
Como a justiça divina – em ícones da descarga dos pombos
E tenho muita pena
Da bosta
Dos Pombos

 

 

 

 


Ilíada

Com Deus me levando
Com Deus me deito
-Crime perfeito

 

 

 

 


FORNOS CARVOEIROS

Os fornos carvoeiros
Têm os seus guris pretos
Com os olhos fagueiros
Em toscos comequietos
Sempre uns serviceiros
Se tornando espectros
Os gabirus rueiros
E os seus tris
te

s gestos

Os piás clandestinos
Dos fornos carvoeiros
Têm nos frágeis meninos
Coitados, de trigueiros
Humildes com destinos
Em cruzes sem luzeiros
E são como caprinos
Nesses vis pardieiros

Os clandestinos fornos
Têm os moleques pretos
Na pele os contornos
Com fuligem em espectros
De exploradores donos
Morrem magros, infectos
Assim, em abandonos
Nem te

rão filhos ou netos

Meninos carvoeiros
Que sustentam seus pais
Pobretões e cordeiros
Desses guetos gerais
Passam dias in
teiros
Transportando, em pás
Tantos carvões vermelhos
Que a mor
te

lhes traz

…………………………

Os patrões vivaldinos
Desses escravos pretos
São de grandes domínios
E têm lucros certos
(Os curumins, franzinos
Quais gravetos – espectros
NOS FORNOS CLANTESTINOS
SIMPLESMENTE SECAM)

 

 

 

 


OS DEZ MANDAMENTOS SÃO TREZE?
“Nem tudo pode ser perfeito”
(Adágio Popular)

Os Ensinamentos presenciais estão nesse kit básico de sobrevivência:
01)-Ama-
te à ti mesmo como ao próximo. (Socialismo de Resultados?)
02)-Ama
teu par e tua mão. (As solidões são sábias.)
03)-Cuidado com o drops no escurinho do cinema.
04)-Não fazer estátuas em vão. (Amai-vos uns aos outros
Sem lenço, sem documento.)
05)-Se o sonho for impossível, diga um verso e vá embora pra Pasárgada
06)-Um véu de tule xadrez com tubinho preto cai bem aos sábados santos.
07)-Cair em
tentação é não estar podre. (O coração continua.)
08)-Não
terás um segundo Deus além do móney…
09)-Uns são, uns não, uns hão, uns vão (uns Vã Gogh)
E ainda exis
tem as ostras.
10)-Tudo pela Poesia. (No Novo Milênio os chips serão mosaicos humanistas
de
Per
tencimentoss & Ninhais) – Ai de ti Ignorante Político!
11)-Habemus Eso
terismos Tantãs – (Do Jazz nasce a luz?)
Há bares que vêm pra bem – É melhor morrer de cerveja do que de
tédio
12)-Pátrias Nada ! Globalização do neo-escravismo liberal
tercerizado
(Deus Puna a América)
13)-Tudo por Amor! (Os loucos herdarão a
terra)

 

 

 

 


Ciranda Globalizada

Batatinha quando nasce
Vira fritas no McDonalds

 

 

 

 


Caipiríssima

Com açúcar furtado
E um belo litro de vodka na mão
O poeta desesperado
Grita: -Meu reino por um limão!

 

 

 

 


ALÉM LUZ DE…

Conhecer
É lembrar
Viver
É adquirir
Morrer
É fechar mais um arquivo

Aprender
É buscar
Amar
É produzir
Viver
É montar mais um arquivo

Viver
É ser-se
Voar
É estar luz
(Morrer
É levar conhecimento para a luz)

 

 

 

 


T A M A R I N D O

Se eu escolhesse ser um fruto
Seria Tamarindo
Não conhecendo esse fruto
(Tez, estética, sabor, gume, gula)
Gostaria de sê-lo e, às vezes
Sou-o

Sou um Tamarindo que não é
E não o sendo
Pertenço-me, fruto, nessa te

z
Estética, Sabor, Gume, Gula, Néctar
E açúcar de mil encantários
Sabor de

O que é exatamente Ser Tamarindo?
Não sei se sei
Mas querendo ser e às vezes me sendo
(Maduro, doce, flor, fruto, outono)
Sinto-me pomar, bosque e esperança
Semen
te

iro

E sei que um dia ainda serei um tamarindeiro!

 

 

 

 


Rã e Nudez

Já fui pobre como um imã
Atraí depositários
Não fiquei rico, procuro
Ilhas de encantários

Já fui pobre como uma rã
Procurei, sedentário
Quem me desse um hangar
Que não me fosse calvário

Já fui só como pura lã
No te

ar do imaginário
Mas vesti-me de nudez
Com um sentimento vário

Hoje sou assim tristinho
Velho lobo solitário
Escrevendo meus lamentos
Blues extraordinários

 

 

 

 


DANÇA COM LOBOS

Estive em todas as épocas
Mas não me tiraram para dançar
Assim vol
te

i para caçar
Os predadores

Estive em todos os tribunais
E me crucificaram para pagar
Assim volte

i para julgar
Os delatores

Estive em todos os céus
E me destruíram para anular
Assim volte

i para afundar
Os navegadores

………………………………

Estive em todas as morte

s
E me condenaram a Voltar

ASSIM VOLTEI PARA RECRIAR
TODOS OS HORRORES!

 

 

 

 


CARA(S)VEL(H)AS – ( MANUSCRITO 2.000)

“Em se plantando, tudo dá…”      “…Pátria Amada/Pátria
minha/Pátria nada/Pa-
(Carta de Pero Vaz Caminha) triazinha” – ( Poeta Vinícius de Morais)

01)

Vamos invadir a Terra de Santa Cruz, Brasil
Vamos explorar a Terra de Santa Cruz, Brasil
Vamos colonizar a Terra de Santa Cruz, Brasil
Aquelas grandes árvores raras, belas, tintureiras
Aquelas rubras vergonhas de índias saradinhas
Aqueles exóticos litorais; praias a beira-mar
Aqueles cafundós de Ameríndias Tordesilhas

02)

Vamos deixar nossas civilizadas marcas santas:
Sífilis, Cruzes, Vírus – muitos mestiços bastardos
E depois, ainda, para plantio lucrativo levaremos
Fortes negros seqüestrados do norte

da África
Para poderem nos produzir latim, açúcar e ouro
E gerar mulatas, amas-secas – escravas sem alma
Em rituais pagãos, nos becos injustos das senzalas

………………………………………………………………….

……………. Quando voltarmos, vitoriosos à nobre metrópole
Deixaremos milhões de vermelhos selvagens extintos
De castigo, jesuítas, inquisidores, moínhos, pestes
E uma continental, sagrada língua-mãe, ibérica
Até que Poetas trovadores, cen
tenas de anos depois
Lavrem rústicos banzos tropicais, desabafando
Com a nossa caravélica e histórica marca: Lusos!

 

 

 

 


NAVIOS NEGREIROS

In Memoriam de “…depois dos Navios Negrei-
CASTRO ALVES      ros/Outras Corren
te

zas”
      (Um Trem Pras
Estrelas-Gilberto
      Gil/Cazuza)
NAVIOS NEGREIROS      NAVIOS NEGREIROS
      DE NOVOS FEITIOS      RIQUEZAS IMPUNES
NEM MARES OU RIOS      INJUSTAS, IMUNES
-BUEIROS      (VEZEIROS)

NAVIOS NEGREIROS      NAVIOS NEGREIROS
NESSE PINDORAMA      DE ANJOS MESTIÇOS
PAÍS COM SEU DRAMA:      COM DONOS POSTIÇOS
MEEIROS      ESTRANGEIROS

NAVIOS NEGREIROS      NAVIOS NEGREIROS
DE TEMPOS MODERNOS      BANDEIRAS INÚTEIS
E TANTOS INFERNOS      EXPLORAM (E FÚTEIS
INTEIROS      HERDEIROS…)

NAVIOS NEGREIROS      NAVIOS NEGREIROS
NAUFRÁGIOS SOCIAIS      POBRES TRABALHADORES
CENTENÁRIOS SAIS      SALÁRIOS, HORRORES
CRUZEIROS…      (PARDIEIROS)

NAVIOS NEGREIROS
BRASIL-QUINHENTOS
VELAS AOS VENTOS
GUERREIROS
……………………………………

NAVIOS NEGREIROS
DE ESCRAVISMOS NOVOS
matam teus povos      BRASILEIROS! ***

 

 

 

 


Relógio de Água

gota   a   gota
gótico.
gota   a   gota
ótico.
gota   a   gota
tico.
gota   a   gota
ico.
gota   a   gota
co.
gota   a   gota
o.
(ping)   o.
(ignótico)

 

 

 

 


Réquiem

Por favor, me perdoem camaradas
Mas hoje eu não vou dizer Bom Dia
Em sinal de pro
testo, de luto, de sofrência
Hoje eu não vou dizer Sejam Felizes ao casal jurado de arroz e flores
Nem vou dizer “Paz e Amor” aos jovens pequeno burgueses al
terados
quimicamen
te
Nem vou estar in
teiramente

em mim, hoje.

Por favor, me perdoem irmãos e amigos
Mas hoje eu vou fechar a cara
Vou demonstrar cactos de tantos vícios adquiridos no meu íntimo pisado
E meus olhos segurarão a dor o dia inte

iro
Pelo horror da guerra.

Hoje, me perdoem por favor, me perdoem
Eu não vou nem exclamar Meu Deus!
Nem vou falar em seres no curtume espúrio da raça humana
Muito menos me vangloriar de Almas Naus nos encantários de espíritos entre
círios
Pois hoje vou me desamanhecer em uma pedra selvagem
E te

rei nojo da espécie.

Perdoem, mas hoje vai ser um dia que arrancarei do calendário de minha
havência
Não quero ouvir o pulso púrpura de um átimo dizimal
Nem do te

mpo confinado à seara do ultrapassado dia
Pois sei do bicho-homem rude à beira do abismo
E do Eu de mim atribulado (no desespelho) por causa da escória no poder.

Sei que hoje eu morri muito mais de dez anos
(Perdoe Poeta Drumond, perdoe o dezelo
Mas meus ombros não suportam o cálice do mundo
Nem quero a cruz de arames de um Carlito puro
Ou o silêncio-albatroz dos jazigos perpétuos em templários com ceifas)
-Eu acredi
te

i no homem e escrevi poemas e banzos ao espírito da vida
Mas os espantalhos das tragédias tiraram a humanidade presencial do eixo de
justiça e convivência entre contrários
E as esperanças estão perdidas em gumes…

Perdão, o sonho de Lennon e Gandhi acabou
Ogivas voam sobre paisanos – crianças de olhos doentes e casebres desérticos
entre montanhas
Num areal sem fim, entre carcaças com cimitarras e cabras cegas
A América Rica e poderosa regozija e
tenta matar o nada
E o meu medo e a minha angústia se juntam à uma vergonha sensorial, tristice
Num per
tencimento te

mporão que eu faço prece laica de desatino e horror.

Perdoem meus filhos, anjonautas, árvores, rios, monjolos, manjedouras,
ninhais, baladas de incêndios, papoulas e magnólias
Hoje eu nem existi, nunca me fui hoje
Apenas meus olhos envergonhados e umedecidos vêem
O que o atribulado coração ressente
E minhas rupestres mãos escrevem essas garatujas
Como sideral homem das cavernas em buracos negros do espaço
Quando meu despojo de ser quase an
te

na da época
Feito mambembe Rimbaud pós-moderno
Pede paz, clama paz, louva a paz, e não há paz.

………………………………………………………………….

….. O ódio venceu, viva o ódio!

De alguma forma, com certeza, estamos mortos para sempre
De novo um dan
te

sco espetáculo de guerra com lucros, posses e retaliações de
dogmas com fanatismos

(O Sétimo Selo do anjo apocalíptico de São João
É um abutre com saga de hiena e mísseis com estrelas mórbidas.)
Ave World Trade Center, totem brucutu de acúmulo de riquezas injustas e
amorais lucros exploradores
Os que também vão tombar
te

saúdam na memória

………………………………………………………………….

….. (Do alto das carroças de tantos séculos ete

rnais
Os Visitadores de dentro da Zona Proibida
Priorizam o Plano B para a evacuação dos espíritos sem máculas
Com códigos legados em genéticas de urânio.)

07.10.2001

 

 

 

 


POEMAS & POESIAS
Para a poeta Elisa Barreto

Não discuto o sexo dos poemas
nem a vacância de mensagens
muito menos dicções ou mitologias
eles se bastam com arestas
multiplicando zeros e infinitos

não discuto a vertente das poesias
que de si mesmas são distintas
o ritual, a consciência, o melódico
tudo isso são cincerros e egos
questionários, renúncias, per
te

ncimentos

não discuto o simbolismo dos poemas
que por si só podem te

r ícones
não quero rótulos, escolas, sachês
e sim rupturas com a sintaxe
técnicas de aproximação, mixórdias

não discuto a lírica das poesias
nem códigos, modismos, planos
quero repertórios de niilismos
e o plano da existência táctil
como réptil com asas, mimetismo

não discuto a lógica dos poemas
quero pluralidades de pedras
o neobarroco, os vetores chaves
são enguias sistêmicas e fazem
do poeta um cacto de bruxo

não quero a vanguarda das poesias
mas elas em si mesmas cibalenas
núcleos, encantários e enzimas
safra de paradoxos críticos
técnica de vernizes diversos

não discuto a poesia no poema
sou um clandestino com lúpus
a lepra de ser-me – sentença
angústia-vívere; roca & singer
baladas de incêndios, odes instintais.

 

 

 

 


Intimidades

A sua voz pertence-me.
Silêncio de ubre.
Nos caldeirões dos vulcões íntimos
A tua presença efêmera.
Descer aos infernos.
Buscar o lagarto-Ser
(Há uma voz que soa
Com invisível peso
na alma-talismã.)
Sou um esquecimento.
Dentro do vácuo de não-Ser, sôo
(Ubre de tua voz:
silêncio de per
tencer-me teu)

 

 

 

 


Domínios de Foro Íntimo

Domino
Minha arqui
te

tura de insano
E preparo-me para atravessar
Esse deserto dentro de mim

Fases em que sou porcelana.
(Penso que estou sendo roubado
Ou seguido
E meu instinto apurado vicia-me
Forçando a arquite

tura instintal)

Sei quantas naus
Fazem uma existência galáxia
Sei quanto amor
Invalida um teto intocável.
……………………………………
(Domino
Meu desejo de voar para o aquém
E caibo-me em mim
Porcelana envernizada de desuso)

 

 

 

 


Borboleta Presa no Criado-Mudo

A borboleta cinza, presa
Dentro do criado-mudo
Lê toda a minha tris
te

za
E não escapa, contudo

Ainda retida a vejo
Entre souvenirs, pincéis
Rendida em meu desejo
Perto de pedras, anéis

Que se ligam ao passado
Que ao meu hoje influi
Nas cinzas do meu estado
O meu perte

ncer conclui

De uma maneira patética
Como borboleta refém
Dando asa à estética
Do meu amor tão sem

 

 

 

 


Metáforas

Passar a vida inteira escrevendo corrige
Algumas metáforas
Do que até pode realmen
te

significar Existir
Extravaso-me, diluo
O peso do subviver
Exerço uma catarse
Decompondo-me, criando

Cada palavra, frase, sentença, dor
De uma outra nova forma reinventada
Tornando-me, reagen
te

, ao rever
O exercício inglório dessa vida

Uns me pedem conselhos: dou poemas
Outros invejam-me; e constróem castelos
      de areia para mim
Mas eu escrevo como se um condenado
A depor, delatar – deixar claro para os
      abismos do futuro
A minha insatisfação com a mediocridade

 

 

 

 


À Sós Comigo…

Quando quero estar um pouco à sós comigo
Esqueço, desligo
E bebo uma cerveja gelada
Depois tomo outra e assim por dian
te
Como se duran
te


Desse-me com a minha porta de entrada

E quando encontro-me comigo, à sós
Meu escrever é porta-voz
De uma morte

anunciada
Afinal, viver nem sempre é poesia pura
Às vezes, até uma ruptura
De quem, no Existir não está com nada

Depois de comigo à sós me restar
Sem dança – sem par
Eu me resto totalmente revelado
Então eu esqueço a existência
De outro mundo tomo ciência
E é cada um (poema) pro seu lado

 

 

 

 


APRENDI A ANDAR COM MULETAS

Aprendi a andar com muletas
Dói-me os ombros, as mãos
A coluna e os punhos
Mas conservo-me em pé, pulando

Caí, corte

i-me, feri-me, me vi
Ao rés do chão – num bosque
De ricos passando – um mendigo
De pobres hilários, rindo de mim

Aprendi a andar de muletas
Em casa, como um cavalo, um potro
Tropeço nos tacos soltos
Nos ácaros, espelhos, máscaras

(De madrugada, escondido
Tomei cerveja – escrevi
As muletas então eram outras
Com poemas voar aprendi…)

 

 

 

 


Achados & Perdidos

Troco envelopes brancos fechados
De cartas anônimas de suicidas
Por jubas de paquidermes antigos
E sombras de den
te

s-de-leão trazidas de pétreos pomares judeus

Aceito partituras de velhos blues
E saltos de sapatos de palhaços
Em troca de falsos esboços de Picasso
Ou mentiras de mães solte

iras escritas em papel-carbono lilás

Vendo os meus bobos direitos autorais
(São milhares de poemas endêmicos)
Por ninharias como desejos de ser feliz
Ou pedaços de frutas cristalizadas roubadas de Casablanca

Aceito doações de tonéis de vírgulas
E postas de peixes cegos por mercúrio
Vendo minha coleção de canivete

s
Minha coleção de adeuses escondidos (íntimos) de fins de arco-íris

Guardo capotes suados de operários
Pinto janelas que dão para abismais
Tomo conta de coleções de lesmas
Por conta de atirarem fósforos usados no dia do meu en
te

rro

Minto poemas com gordas rimas
Lavo cachorros vadios de ruelas
Pinto vãos de cervas, anões de jardins
E até, aceito, no íntimo, gritos de pedido de socorro, em vão…

Se alguém quiser saber meu endereço
Onde eu moro – como uma tatuagem
Pergunte

à uma alma livre como lupa
E esprema limões de gracezas nas esperanças cor-de-rosa

Eu estou aqui e ali como um salmo
Pertenço à Nau de Ícaro das chuvas
E cada um pode me reparar em si
Quando o sol brilhar (E for tris
te e solitário dia de relâmpagos. )

 

 

 

 


Nunca Mais

Nunca me deixaram ser o que sou
Mas eu continuo sendo
Invento meu próprio mundo e dou
Tes
temunho que sigo vendo
Às vezes sei que o sonho acabou
Outras vezes pre
tendo
Crio meu medo tris
te e vou
Sonhar o que está nascendo
Se me deixam só, só estou
E me sinto horrendo
(Depois que o amor me marcou
Não sei o que está acon
tecendo)
Nunca me deixaram – e eu sou
O que no criar pre
tendo
Dou-me comigo e assim vou
Eu de mim mesmo havendo

 

 

 

 


“Em Flor” (Cantar de Amor)

Quando te vejo
Amanheço de novo meu radar noturno
Coloco caprichos nos sonhos
E acon
teço minha epifania
De
ter te

deixado ir-me

Quando te

vejo
Compoto um arco-íris quase avelã
Embrulho o coração porto
Forço minha angústia-vívere
Ser-me de próprio punho

Quando te vejo
Desabandono-me no Eu de Mim
Troco andaimes com tristices
E ainda hei de – Ai sofrências!
Per
tencer-me em ti; todo te

u

Quando te vejo
Levanto-me de ser um “Sentidor”
Secreto
te oferto amor
Clandestino – louco que seja
Além de platônico, EM FLOR!

 

 

 

 


EU, VOCÊ, NÓS

“Bati em tua porta/E perguntaste: -Quem és?/Tolo, eu respondi/Sou eu – e
limpei os pés/Mas, disses
te, aqui/Aqui só cabe um – fiquei à sós/Pois eu
amadureci/E vol
tei a ouvir tua voz/E disseste: -Quem está aí?/Eu de presto
respondi: Nós!/Então me deixas
te entrar/E juntos temos um LAR”

 

 

 

 


O AMOR

O amor é um refém
Que espera ser liberto
Um herói – deve haver alguém
Que
te

nha o coração à céu aberto

O amor é um refém
Em si mesmo condenado
Mas na esperança também
Paga um preço de alumbrado

O amor é um refém
Sem razão – sem endereço
Como ao coração convém
Achar alguém que pague o preço

O amor é um refém
Triste – a esperar resgate
Na solidão pode ir além
Até que o sonho impossível o ma
te

(O amor é de ninguém?)

 

 

 

 


O GADO

O gado no campo
Procura compreender o seu dono
Lavrando, lavrando
Com raiva, com medo, com sono

O gado no campo
Procura compreender o Humano
Correndo, cuorando
Como se se fundasse no dano

O gado no campo
Procura compreender a humanidade
A igreja, o banco
A cela, a solidão, a saudade

……………………………………..

O gado no campo
Procura avaliar o seu estado
(E vê o Ser Humano
No redil de sua sina confinado!)

 

 

 

 


VIAGEM

Tomo-me de mim, pelas mãos
E ando – nas palavras
Caminhos, hangares, véus (viagens)
Pé direito enfaixado: passapor
te

Nunca estou exatamente

em mim
Divago: catarse (alumbramento)
No onirismo de escrever, vôo
O par de muletas – as asas

Sempre fui assim: viajador
A abstração – o íntimo-coisa
As palavras, fluxos inconsciente

s
E a poesia-fuga: Poesilha

Agora que estou de pé torto
Zumbi a escrever ninhais
Pertenço-me; ourives textamentário
E escrevo: palavras de ver-me

 

 

 

 


NO DIA DE IR-ME EMBORA

No dia de ir-me embora
Como eu vim, feito seqüela
Direi adeus escondido, no olhar
E depois tomarei licor de ausência

Meu armário e meus alunos
Meus sonhadores pedagogos
Sairei como um pássaro velho
Indo em busca do meu rincão

Talvez eu deixe saudades
As loucuras, o humor, os sonhos
Quem me amou, criou cardumes
Quem me ignorou, serviu-se

No dia de ir-me embora
Com minha cotovia no íntimo
Com meu bandoneom no peito
Não chorem: mereçam-se

 

 

 

 


Quando Vencer o Meu Prazo

Quando vencer o meu prazo nessa estadia
E o bruxo do
te

mpo vier me buscar
Não direi adeus – esconderei esse dia
E sairei em silêncio para não chorar

Sairei pelos cantos como um condenado
Darei a última aula – e irei-me embora
O ritual do destino é cada um pro seu lado
Nem gosto de dizer Adeus nessa hora

Pegarei a mochila, o apagador, o boné
A velha e carcomida caixa de giz
E de mansinho retornarei para Itararé
Como se tivesse sido um pouco feliz

Talvez meus amigos sintam minha ausência
Ou meus inimigos digam gracezas de mim
Se amei e não fui amado, paciência
Cada ciclo tem lavra, princípio, meio e fim

 

 

 

 


DIA DE CAUBY

Tem dia que eu acordo Elis Regina
E canto Casa no Campo
Como Nossos Pais
Ou Madalena e Arrastão

Tem dia que eu acordo Jamelão
E canto Lupiscínio
E com fascínio canto até samba-enredo
Ou samba-canção

Mas tem dia que eu acordo puto da vida
E é exatamen
te nesse dia
Que eu faço poesia e canto CONCEIÇÃO!

  -0-

 

Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br

 

Itararé-SP

Blog premiado
www.portas-lapsos.zip.net

Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA

Crônicas – Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia

Editora Giz Editorial 

A Vida é Um Milagre – Para Wilson Bueno

 

 catedralvelhaitarare

A VIDA É UM MILAGRE

Para Wilson Bueno

A Vida, não por acaso

é um milagre

A invenção do Ser Humano é um

Deus um dia acordou de ótimo humor celestial

E materializou um caco do espelho que sangrava luz

Em cabeça, tronco, membro, espírito – e Milagre!

 

A Vida é um Milagre

do pão e do quartzo-róseo

Da boemia, de todos os poetas enluados

E dos que enfrentam tantos moinhos e adventos

Como é milagre o deserto, a nuvem ou um show de circo

Até a sobrevivência da espécie – maravilhoso milagre!

 

A Vida é um Milagre

do gênesis à globalização

Por horizontes e tantas auroras boreais

Tudo em confeito de sagas e mil videiras magnas

Entre o arco-da-promessa e o refluxo da piracema

Ou caldas regadas à harmonia de templários milagres!

 

A Vida é um Milagre

do presépio ao raio laser

Passando por silos, moendas e lagares

Tudo uma orquestração de Deus com som timbral

Entre vulcões, tempestades e plangentes encantários

Com o amor divinal de tantos santos milagres!

 

A Vida é um Milagre

da concepção ao ninhal

De Mozart a Monet, de Violeta Parra à Poeta Helena Kolody

É tudo uma iluminura de peregrinos sonhadores

Pois o ser se fez carne e luz, para evoluir e ser anjo

Assim na terra como céu, de infinital milagre!

 

A Vida é um Milagre

como a porcelana

Como a invenção do telégrafo ou telefone

Deus precisava se comunicar com a perolização das ostras

E depois que criou a mulher e seu calendário de lágrimas

Teve piedade desse enternurado milagre!

 

A Vida é um Milagre

do silêncio ao tornado

Da tecnologia neural ao Projeto Genoma

Tudo uma tábua de esmeraldas de berçários e ampulhetas

O ser humano buscando a impressão digital no punho de Deus

Além da dimensão cósmica que é esse canteiro de milagre!

 

A Vida é um Milagre

do golfinho ao açúcar

Do azeite ao solário que habita na tez do tamarindo

Cada mulher grávida é uma nova tentativa do Pai Criador

Querendo um novo ser na evolução de sua essência matriz

À sua imagem e semelhança repurificada num outro milagre!

 

A Vida é um Milagre

de Sócrates a Wilson Bueno

Seresteiros e anjonautas virtuais O louvam por satélites

Tudo é uma só soma no paraíso de questionários cósmicos

Desde a semente pra Ganimedes ou uma Viagem no Tempo

E toda babel humana quer decifrar o código legado do milagre!

 

A Vida é um Milagre

grávidas e marceneiros

Professores e inventores de sanduíches ou reciclagens inclusivas

O parto do mico-leão-dourado ou a técnica de chorar escondido

Até as tentativas de cadastrar vidas nos objetos-não-identificados

Ou fazer pamonha com maizena imitando milho feito milagre!

 

A Vida é um Milagre

de Darwim a chips orientais

Do granizo azul-xadrez ao gafanhoto branco transgênico

Tudo um solo de Deus no palco de sua pandimensional galáxia

Preparando a Nave Terra geóide para um futuro novo céu

Muito além do curtume da vida que se decanta num milagre!

 

A Vida é um Milagre

com diásporas ou saraus

Tudo um mesmo espetáculo de tulipas ou chuvas de meteoros

De Pelé a Carlitos, de Mazzaropi à Estância Boêmia de Itararé

Tudo reinando purificações em altares com esperanças limpas

Na sagração angelical de zilhões de binários milagres!

 

A Vida é um Milagre

Deus reina em todos eles

Borboletas de veludo e esquilos marrons sabem desse equilíbrio

Tudo é espetáculo de grandeza além de nossa compreensão

Querendo campos de trigos sem guernicas e sem joios

Com jacintos de jade ornando jazidas de milagres

 ………………………………………………………………………

A Vida é um Milagre

do fermento ao átomo

Do hangar sideral ao complexo sítio de urânio além do sol

Tudo divinal como se um sudário de magníficas constelações

Então colhemos poemas e amizades com luzes que se abraçam

E nos revelam a eternidade do amor em tantas Mães que são os principais elos desse MILAGRE!

-0-

Silas Corrêa Leite – Itararé-SP

 

 

 


Currículo – Eu de Mim Mesmo

 

jocelinafotograndeposterpoema

Eu de Mim Mesmo (Um Poeta Passado a Limpo Ainda é Húmus)

 

não nasci no guarujá. não tenho nome bonito ou importante. não sou professor universitário. não consegui conciliar nada com a literatura. nunca publiquei em grande editora do eixo rio-sp. não resido no rio de janeiro. não me chamo joão ubaldo ribeiro. não escrevo pra faturar. não estou organizando meu ultimo livro. não sou graduado em letras ou jornalismo. não acredito que a poesia seja mais necessária do que o pão ou a cerveja preta. não fiz pedagogia ou artes. não colaboro em nenhum suplemento cultural importante de brasília. não estou presente em movimentos culturais da minha terra. não sou membro da academia brasileira de letras. não sou neomaldito por acaso. não trabalho como assessor cultural de algum aspone. meus pais não foram ligados ao cinema alternativo. não tenho tema preferido, aliás, um não-tema seria o ideal num poema dadaísta. não comecei a fazer teatro aos treze anos. nunca me especializei em literatura hispano-americana. não tenho crônicas publicadas em nenhum jornal de lisboa. não passei a minha primeira infância em campos do jordão. não canto a esperaa, aliás, com minha ficção-angústia canto em versos os gritos das ruas, porque ainda restam as ruas para os fracos e oprimidos. não vejo poesia em tudo. não faço parte do grupo de poetas neoconcretistas de são paulo. não me interesso por ficção científica. não sou casado porque sou contra o casamento e acho que mulher deve casar e homem não. na minha estréia não recebi prêmio nenhum. o crítico josé neumanne pinto nunca disse nada importante a meu respeito. não sofri influência do castro alves. não me dedico à pecuária ou a exportação de pedras preciosas. não servi o exército porque tinha pé chato e piolhos no sovaco cor de mortadela de soja. não consto em nenhuma antologia de poetas lusonautas editada na fraa. não gosto de arqueologia lunar. nunca tentei compreender a mulher na sua totalidade. não gosto de ostras. não tive limões mas fiz limonadas de lágrimas. não sou flamengo e nem tenho uma nega chamada risoleta. não aprendi alemão para ler filosofia. não sou virgem sou leão-dragão. não me responsabilizo pelo que escrevo. não deixarei impune o legado da minha visão da miséria humana. não sei exatamente o que aconteceu na semana de arte de 22. não sei dirigir e nem sei pescar ou trocar lâmpadas – minha musa-vítima é que troca tudo, até o courinho da torneira (espero que nunca me troque por uma bicicleta ou um abajur lilás). não sei o que vocês querem de mim. não tenho nenhuma verdade, aliás, tenho zilhões de perguntas. não fumo, não tomo coca cola e não sei nadar. não sei se o que tenho realmente me pertence. não escrevi isto que vocês estão lendo. silas corrêa leite – Site: www.itarare.com.br/silas.htm E-mail: poesilas@terra.com.br

 

 

 

 

Vista a Minha Pele

 

 negodito

Vista A Minha Pele

 

 

 

Vista a minha pele

Você conseguiria?

Seja negro só por um dia

Seja preto pelo menos por mim

Somando todas as minhas cores assim

 

Vista a minha pele

Assuma a minha cor

Seja você quem for

Capture radicalmente a minha dor

Bem lá dentro de mim

E procure me compreender melhor assim

 

Vista a minha pele

Eu sou igualzinho a você

Ser Humano, porque

Corpo, Mente, Banzo, Coração

Então questione racismo e discriminação

 

Vista a minha pele

Sou vermelho por dentro

E negro sempre cem por cento

Afrobrasilis, Afrodescendente

Muito além de para sempre

Inteiramente ser humano e sobretudo gente

 

Vista a minha pele

Vista-se epidermicamente de mim

E procure me entender como seu igual assim

Seu irmão da humana cósmica raça

E sinta tudo o que dentro de mim se passa

Assim você muito bem confere

Assim você vai realmente se sentir

Lá dentro da minha própria pele

Como eu quero ser árvore de leite e florir

Como eu quero ser janela de pão e me abrir

 

 

 

 

 

 

 

Como eu quero ser estrada de açúcar e prosseguir

Como eu quero o fim de diáporas e sorrir

Sem nenhum branco para me ferir

E você vai captar essencialmente então

A verdadeira pureza do que é primordial

E o que eu quero é total libertação

E todos iguais na aquarela da coloração

Numa brasileiríssima democracia racial

 

Vista a minha pele

Seja um pouco eu mesmo um negrão aí

Dentro de você – Para você sentir

Sou preto brasileirinho

Sou negrão e sou negrinho

Sou Negro e Ser Humano de igual valor

E tenho a África nas moendas e engenhos no meu interior

Depois de me vestir e depois de se sair de si

Deixando de ser eu negro aí

Venha me estender a sua mão

E, de coração para coração

Abrace-me como um seu completo irmão

A pele espiritual sendo uma só então

Numa sagrada e sideral celebração.

 

 

 

 

 

 

 

-0-

 

Silas Corrêa Leite

 

Ser da Estância Boêmia de Itararé, Santa Itararé das Letras

 

artesitararepinguim

Ser da Estância Boêmia de Itararé, É:

33 Motivos Para ser Fanático por Itararé

01)-Achar Itararé a mais bela aldeia do mundo, mesmo eventualmente não conhecendo direito o mundo, até porque, se Jesus Cristo tivesse nascido em Itararé, os três Reis Magnos seriam o Jorge Chuéri, o Gustavo Janson e o Walter Menk
02)-Ser um “fanático por Itararé” e adorar a Cidade-Poema acima e abaixo de todas as coisas reais e imaginárias, até porque, Itararé é a nossa Shangri-lá, nossa Pasárgada, nossa Jerusalém celeste aqui mesmo
03)-Ser boêmio, bom de p
rosa afiada, contador de palha, pescador e até, aqui e ali, inventor do inexistente, até porque Itarareense não mente, inventa verdades que ainda não aconteceram de acontecer
04)-Preferir ficar preso em Itararé do que livre e solto em qualquer outro lugar do Planeta Água, até porque, longe é um lugar que não existe, e assim mesmo lá tem tubaina de limão-cravo do Vilela e uísque paraguaio de Sengés
05)-Adorar biritar entre amigos, principalmente falando mal da vida alheia e sondando mulher pedaçuda com seios de manga-sapatinho, mãos de pianista, pés de bailarina, olhos de jade e pensão alimentícia de três maroteiros beiçudos e com amarelão
06)-Torcer pro Clube Atlético Fronteira, o mais “glorioso, majestoso, poderoso” clube sócio-futebolístico da city. Quem torce pra Associação Atlética de Itararé é caipora de lazarento e filhote de cruz credo
07)-Ter algum dom natural, algum talento, pintar, escrever, jogar truco ou mesmo contar mentiras por atacado, até porque quem bebe a água da gruta da barreira sempre volta, o que não volta é a água que é mijada fora
08)-Ser de esquerda, sempre. Fazer oposição por graceza, contenteza. Se há governo, é contra, esquerdista por legítima defesa da honra, da ética e em busca de um humanismo de resultados
09)-Adora gandaias, forfés, micaretas, carnavais, quermesses, serenatas e, principalmente bordel e pescaria, principalmente se não levar marmita, isto é, se a patroa com pelanca não for junto detravessada
10)-Sacar antes o lance, saber bem de tudo quanto é assunto, mostrar dialética e ser loquaz entre amigos e morféticos curiosos, e nunca andar com canhão, quero dizer, mulher feia, a não ser que esteja muito “bêudo” ou picego de dar nó em pingo dágua
11)-Defender Itararé a todo custo, haja o que houver, doa a quem doer, afinal, morrendo, todo Itarareense será parte da terra Itararé, e, assim, é melhor cuidar bem da terrinha-nós-mesmos a partir do que seremos certamente um dia no devir
12)-Itarareense é “Andorinha sem Breque”, dá nó em pingo de chuva, desvia de cobra-fantasma, e assovia bem, até porque, como dizia o saudoso Barbosinha tocando Luar de Itararé…música é vento
13)-Detesta amigos do alheio, desde corruptos e ladrões, não aceita gente de duas caras e mete a boca em tipo janota e boçal, muito menos gosta de ser palhaço de outro palhaço se olhando no espelho
14)-Conta palha de que Itararé foi feita no sexto dia de criação, por isso Deus teve que descansar no Sábado lá no Bar do Tepa, já que tinha caprichado e cansou-se, depois foi pro forfé e pegou gosto.
15)-Itarareense bebe porque é líquido. Se fosse sólido comeria. E bebe sim, vermes não comem pudins de cachaça
16)- Todo Itarareense é anarquista teórico, marxista técnico, boêmio pela própria natureza, fanático por Itararé e social-democrata com visão ético-plural-comunitária
17)-Todo Itarareense é pão duro ao extremo, cria escorpiões no bolso para não ter que atacar as algibeiras em caso de precisão de vida , morte ou desfrute de eventual biscataria self service
18)-Itarareense não morre. Vira purpurina. Não nasce, estréia na Terra.Não é aparecido é criativo, e sabe fazer bonito, no amor e na dor. Mas vai em tudo que é guardação e velório e gosta de aparecer mais que o próprio finado o de cujus
19)-Itarareense que não presta nasce morto. Ou vai nascer noutra freguesia do Paraná, logo depois da divisa do rio Itararé, lados de Sete Quedas, aliás, Oito quedas, se empurrar a sogra que não é boa bisca lá.
20)Itarareense adora fazer caridade com o dinheiro dos outros, assim como adora comprar fiado de caderneta e perder a caderneta. Sabe ser útil e solidário na hora hagá, e não acredita em artes que não sejam libertações.
21)Itarareense sabe que, sexo seguro é quando ele segura no seu próprio usucapião pra urinar cervejadas, aliás, se cerveja se pagasse pelo que se urina, só se pagava o rótulo
22)Itarareeense-andorinha na dúvida em gastar ou poupar toma mesmo é suco da sabesp com petisco de língua de sapo chulé
23)O buraco da barreira é mais embaixo, andorinha grande é Taperá, quem não gosta de Itararé, boa bisca não é
24)Itararé não tem tarado, tem liberal esquizofrênico, não tem biscate, tem Maria vai com as outras e dá de lambuja
25)Itarareense não tem viado. Os viados vão todos para Curitiba e passam em Ponta Grossa
26)Itarareense não morre, estréia no céu, mas antes passa pelo Asilo Jesus Tá Chamando, depois entra no Morgue Vá Com Deus e, finalmente, deita a paquera no Cemitério Lágrimas do Céu
27)Em Itararé, quem toma Coca Cola arrota pum, e sabe muito bem e com prazeirança que batatinha quando nasce vira fritas do Bar do Mino do Zuza
28)Todo artista Itarareense é aplaudido em pé na Praça Coronel Jordão, até porque, a bem da verdade, lá não tem banco pra todo mundo se sentar
29)Em Itararé o vento sola saudades pegajenta do Maestro Gaya, do Fernando Milcores e das estrelas Irmãs Pagãs.
30)O defeito do itarareense é ser pão duro, daqueles que dá tiau com o punho para não gastar vão de dedo, e nem tem muito jegue júnior de herdeiro na prole para não gastar zona de fricção
31)Itararé tem Passarinho que anda de bicicleta e com chapéu de florzinha verde na gadelha, tem restaurante que fecha pra almoço e tem rio verde que não amadureceu ainda
32)Itarareense quando viaja, leva foto de Itararé só pra matar saudades e tomar umas e outras em homenagem à sua santa terrinha. Aliás, o melhor lugar do mundo é aqui e agora, e todo Itarareense sabe muito bem que, “Esteve em Itararé e não lembrou de ninguém;Pois quem não está em Itararé está sem
33)Itarareense pobre só come carne mesmo quando o feijão-rosinha tá bichado


Habemus República Etílico-Rural de Itararé
It(ar)(ar)é!
O Paulista de Itararé é mais paulista do que os outros paulistas
O céu azul é o mar de Itararé
Itararé, verás que um filho teu não foge a luta
Itararé, a história do Brasil passa por aqui  
Sou de Itararé, não desisto nunca

Itararé, Bonita Pela Própria Natureza

Santa Itararé das Artes

Itararé: Isso é que É!
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Poetinha Silas Corrêa Leite, Sampa, Saudades de Itararé, do Jazz nasce a luz.  E-mail: poesilas@terra.com.br
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O Menino Que Entregava Roupas – Conto de Natal de Itararé

 

 meninoentregavaroupa

O Piá que Entregava Trouxas de Roupas Lavadas

 

Silas Correa Leite(*)

 

“As lágrimas são as palavras da alma”

 

Joaquin Setanti

 

 

Acharam o piá quase morto de frio. Estava com uma grave pneumonia. Olhos castanhos, murchos, fundos, tristes. Chorava, copiosamente, de ressentimento, talvez. E as lágrimas em sua face com amarelão, como se estavam – por um anjo! por um anjo! – de alguma estranha forma congeladas; dando ao seu rosto pueril a sofrência de uma paleta de amargura e dor terminal. O policial Dito Lima, num fusca que mais parecia uma imagem de garrafa de crush itinerante, tinha subido a rua 24 de Outubro, ali, na altura do Clube Atlético Fronteira, perto da hora do inicio Missa do Galo, e vira o menino com um vazio saco de farinha de trigo usado na mão direita, como se segurasse uma roseira de tristices. Vira, em passant, por acaso, de vereda mesmo. Depois, precisando atender a um chamado do Vereador Chico Preto para um forfé suspeito nas imediações da malha férrea da Estação Sorocabana de Itararé, passou novamente na esquina ali pertinho, e, de través, com o rabo do olho captou de novo o guri e talvez já passasse da meia noite. Encafifou. Será o impossível? Um alarme divinal tocou em seu instinto. Só por Deus. Parou o fusca da policia e foi ver o que estava acontecendo. Sacou o desboque: o menino pobrezinho ardia em febre, murcho, trêmulo, se não fosse socorrido a tempo certamente que iria morrer. Era Natal em Itararé, Cidade Poema. Dezembro de um tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça.

 

O piá era filho da Dona Lena. Levava e trazia rotineiramente as trouxas de roupas que a mãe lavava pra fora, precocemente ajudando como podia em casa. Trazia as pesadas trouxas de roupas sujas dos ricos, depois levava tudo de novo, roupa limpinha, fervida em água de bica (o chafariz do Bairro Velho), sabão de cinzas e anil, passada com os vincos certinhos, e que entregava direitinho, trazendo os minguados tostões pra suprir a familia grande e pobre, da carente periferia sociedade anônima de Itararé, pois o pai estava doente, os irmãos menores padecendo, por meses, mal-e-mal e sempre uma rotineira e rala sopa de fubá com couve rasgada. Havia carestia no Brasil, anos sessenta, os clientes ricos minguando, o já parco pagamento dos afazeres da mãe dedicada, entre o tanque e o quarador, entre o fogão de lenha e os filhos com amarelão. A Dona Lena confiava naquele primogênito, era o maior, dizia até que o bendito era abençoado por Deus. Gastava um minuto de prece com os outros filhos, nas demoradas orações, mas, com aquele seu protegido era meia hora, precisava investir no menino, tinha fé nele.

 

Algo doente, Dona Lena, mesmo assim batalhou até de madrugada, fervendo as roupas no latão velho de óleo de algodão, sobre uma lajota com fogo no quintal de laranjeira pesteada. Depois, passou a ferro que era de brasas, com sacrifício, mas ela contava com mais aquele serviço, tinha planejado, ternura de mãe. A despensa estava vazia fazia tempo. Sopa de fubá com couve rasgada, polenta maleixa, aqui e ali, banana frita, uns ovos que mal davam prum bolo mixuruca de banana-caturra e olhe lá. O céu por testemunha. Se o Dr Aderaldo mandasse mais uma quantia de roupa, se apressaria em entregar depressinha o serviço, pra ter mais uns cobres que melhorassem a bóia de natal, talvez desse até para comprar algumas tubainas de limão do Vilela, ou mesmo algum doce de cidra pros filhos queridos, tão precisados. Instruiu o piá Thiago que, entregando as trouxas de roupas limpas, recebesse e passasse no Seu Vitorino, fizesse algumas compras, deu uma listinha, feijão-jalo, tomate, óleo, açúcar cristal. E também trouxesse a nova renca de roupas sujas pra ela poder adiantar bem o serviço, varando a noite preciso fosse, talvez entregando no dia seguinte, mesmo tendo que ferver as roupas de madrugada, mas, ao final do dia de natal entregaria tudo pronto e receberia a paga costumeira para melhorar a bóia em casa. Coração de mãe. Capricharia nos torresmos, cuques, tortas de lágrimas. Confiava no guri.  Bem instruído, ele foi levar as pesadas trouxas, como se carregasse o mundão sem porteiras sobre os ombros miúdos.

 

Entregou, recebeu, viu que era pouco o que pagavam pelo trabalho, mas atenderia à solicitação da querida Mãe. Mas, quando perguntou da nova porção de roupa suja da casa do Dr Aderaldo, foi informado de que não estavam mais interessados no serviço, contratariam empregada barata a preço melhor e que ainda faria tudo, depois, estavam para entrar de férias, iriam pra Iguape, litoral. O menino ficou estacado. Mal deram um tiau seco e sem graça que fosse, fecharam a porta da casa rica na cara azeda dele, e Thiago ficou ali, encostado na enorme porta de cedro e imbuia cheirosa, chorando suas lágrimas, quase beijando a parede, quase mesmo batendo de novo e pedindo pelo amor de Deus, mais uma leva de roupa suja, mais uma porção de serviço, a casa precisava, a mãe contava com aquilo, que fizessem uma caridade. Era Natal e ele estava detravessado. Sensível. Cismou. Reinou. Não voltaria pra casa. Não voltaria nunca mais. Não com as mãos vazias. Não ele. Não daquele jeito.

 

Ficaria ali. Estava mesmo com tosse de cachorro, a mãe disse, o peito chiara na madrugada fria do dia anterior, um dezembro chuvoso e friorento em Itararé. Se morresse ali, não daria desgosto de dizer pra mãe que não teria mais roupa pra lavar daquela ultima casa freguesa, ou que iria apertar mais a pobreza em sua casa humilde. Sim, ficaria ali, achariam o corpo, dariam o dinheiro pra mãe, ela o abençoaria, “vá com Deus meu curumim, vá morar no céu, piá”. Ele não tinha coragem. A mãe pedira. A mãe contava com mais uma lavada pelo menos, naqueles tempos de carestia. Pelo menos morrendo, no jantar daquela noite sobraria mais da rala sopa de fubá com couve rasgada pros irmãos, para as adoradas irmãs, para a mãe adorável que andava dodói da angina, pro pai que estava de cama com úlcera varicosa e assim era impedido de trabalhar. Ali Thiago ficou entrevado, coração transido, alma aflita, mordido de dor. Só por Deus. Entardeceu, anoiteceu. Sobre a beirada da porta da frente da mansão do Dr Aderaldo Martins Mello, na Rua 24 de Outubro, um pacote de renúncias. Foi quando o policial Dito Lima o achou sem querer e salvou a sua vida, pois a morte já fora avisada que uma alma pura de Itararé estava para ser levada para muito além do vale da sombra da morte…

 

Na Santa Casa de Misericórdia de Itararé foi uma correria danada, um forfé sem igual, o menino coitadinho para morrer; cobraram doações de sangue, labutaram, uma enfermeira conhecia a familia, foram avisar Dona Lena, o filho achado em petição de desconsolo estava morrendo em frente a casa do doutor rico, a mãe preocupada pensava mesmo em chamar a policia, ia dar parte na cadeia, perguntaram então do porque o menino que entregava roupa não quisera mais voltar pra casa, como ele ainda em tratamento emergencial, talvez entre o pesadelo e o sonho, falara, repetira, suando, descorçoado, determinado, em febre-terçã, preferindo morrer do que não ter como ajudar a mãe prover o lar.

 

O Dr. Jonas de Alencar chorou muito depois que o pensou com presteza, mandou trazerem capado do sitio e que doassem pra familia junto com farnel de milho verde e manta de charque, entre grãos e tulhas de frutas como laranja-pêra, abacate-manteiga, manga-sapatinho, alguns lambaris salgados também. O enfermeiro Nicanor correu no Armazém do Vereador Tico comprar fiado uma boa cesta básica pra doar como se fosse o seu abençoado presente de natal pra familia. Todos no hospital, doadores, serviçais, visitantes, curiosos, gente de coração de ouro de Itararé, cavalheiros como os reis magos, foram acudir aquela familia humilde em petição de miséria. Muito além de ouro, incenso e mirra, há o amor, pois o amor é a mão que balaa o berço da humanidade, e a esperança é a inteligência da vida.

 

Nunca tiveram um mês tão farto naquela casa de tabuinhas, com todos finalmente comendo do bom e do melhor, até que a mãe arrumou freguesia nove e farta, o pai arrumou emprego de acendedor de lampiões de gás de Itararé, o menino Thiago ficou sendo respeitado pelos seus colegas do primário no Grupo Escolar Tomé Teixeira, e quando algum piá maroteiro de rua, com quem joga bola de capotão agora, de ki-chute encardido no pé, pergunta porque ele não quis voltar pra casa, ele enche os olhos de lágrimas, abaixa a cabeça, se assunta e não diz nada. Fica encruado.

 

Não, não se apruma numa conversa fiada que seja. Sabe só pra ele que dentro do seu coração, de alguma maneira que inventou de inventar,  sentiu uma estrela amarela de Natal alumiando, e ele queria aquela bendita luz, aquele dourado celeste de esperaa, para enfeitar a choupana humilde de sua morada na descalça periferia cor-de-rosa de Itararé.

 

Sentiu que, talvez porque fosse Natal, mesmo morrendo de frio, de alguma maneira seus familiares não morreriam de fome, pois, algum anjo de pertinho do Menino Jesus do presépio, em sua fé e defesa, operaria o que o Padre Nataly Morettti e o pastor João Vera da igreja chamariam de um “Milagre”.

 

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Silas Correa Leite, Itararé, Cidade Poema, São Paulo, Brasil

Teórico da Educação, Jornalista Comunitário e Conselheiro em Direitos Humanos

Autor dos livros Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, ambos a venda no site

www.livrariaculktura.com.br

Prêmio Lígia Fagundes Telles Para Professor Escritor

E-mail: poesilas@terra.com.br  Blogues: www.portas-lapsos.zip.net

Ou: www.campodetrigocomcorvos.zip.net ou www.itarare.com.br/silas.htm

 

Conto da Série “Eram os Itarareenses Astronautas?”

Dez Poemas de Silas Correa Leite

 

 artelinda

 

Dez Poemas de Silas Correa Leite

 

Condomínio Via-Láctea

 

A lua nova sobre o arranha-céu

Com rímel de nuvens e sorriso de miss

Não sabe de janelas abertas

No enorme Edifício Vulgata

De arquitetura espacial.

 

O edifício e o condomínio têm luas

Como tem ruínas e alguns fantasmas

Da rua olho todos os sinais

Janelas abertas são ruas no breu

Muito além do noturnal.

 

A lua e o breu noturno no alto céu

O condomínio e seus desenredos

As luzes e as janelas abertas

Talvez a Lua seja uma

Válvula de escape sideral.

…… …………………………………………..

 

No céu noturno da cidade grande

O prédio é só cimento armado

Mas a lua é uma janela

No Condomínio Via Láctea

Como um jogo de pinball.

 


 

Declamar Poemas

 

Para Regina Benitez

 

Não fui feito para declamar poemas

Ter timbre, empostar a voz, tempo cênico

E ainda dar tom gutural em tristices letrais.

 

Não fui feito para decorar poemas

Malemal os crio e os pincho fora

Para o poema saber mesmo quem é que manda.

 

Não fui feito para teatralizar poemas

Mal os entalho e deixo que singrem

H orizontes nunca dantes naves/gados.

 

Não fui feito para perolizar poemas

Borboletas são pastos de pássaros

Assim os poemas que se caibam crusoés.

 

Não fui feito para ser dono de poemas

Eles que se toquem e se materializem

Peles de pedras permitem leituras lacrimais.

 

Não fui feito nem para fazer poemas

Por isso nem cheira e nem freud a olaria

Apenas uso estoque de presenças jugulares.

 

Não fui feito eu mesmo. Sou poema

Bípele, cervejólo, bebemoro noiteadeiros

Quando ovulo sou fio-terra em alma nau.

 


 

Poema do Cego Pulando Amarelinha

 

Para Alberto Frederico Correa Santos

 

O cego pulando amarelinha

Toma o anjo pela mão

Você só vê o gesto táctil do cego, não

Vê jamais o anjo na sua condução

Em cada estágio de saltar sem pisar na linha.

 

O cego pulando amarelinha

Parece flutuar num ba

E sonda-o a rua de Itararé inteirinha

Perguntando o que nele enseja tanta

Céu e inferno; o cego parece que advinha

 

O cego e a sua amarelinha

Parece um milagre a

Toma-o pela mão o anjo; o cego se aninha

E pula e salta e vence e acerta o pé

Talvez porque céu ou inferno só dentro da gente é.

 


 

  Forfé de Pião Rueiro< /strong>

 

A madeira na mão um toco de imbuia cheirosa

Pedindo pro Jora da Marcenaria Estrela tornear

O pião pra jogar com a gurizada na rua descaa

Que a fieira tinha tirado de uma cortina de casa

 

O Seu Jora só perdeu um instantinho-prosa daí

Surgiu o pião rombudo qual coxinha de frango

Marrom lixado e um prego sem cabeça na ponta

Pro bicho correr doido como a bailar fox-trot

 

O pião na mão e o movimento no colo da idéia

Rua cheia de piás guris moleques curumins a

O sol de Itararé rachando revólver de mamona

Gibis do Flecha Ligeira na mão e tarde ardendo

 

Então a fila pra assistir a inauguração do pião

O coração tamborilando rabo de olho na mira

Enrolei a fieira na bundinha do pião maroteiro

E fiz panca de Burt Lancaster depois da maleita

 

Soltei o pião lazarento (que apelidei de Garrincha)

E ele foi de bubuia e fez reviravolteio na Rua Capilé

Foi um deus-nos-acuda dos guris serelepes torcendo

Pro meu pião querido ir de vareio no rio da bosta

 

Mas o caipora lazarento fez fricote zumbiu e parou

Na minha mão direita como uma roseira de brincar

 

Eu era criaa e Itararé tinha uma barulhaa pueril

Cresci virei peão de pegar no batente e fazer poemas

 

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Poeta Escolhendo Feijão

 

“Um poeta escolhendo feijão/

N o parece nada poético/

Antes, piegas; na ótica vão/

Onirismos – metáforas do imagético/

Que pedaços ali se haverão/

Como palavras, no profético?/

(Que caldo na imaginação/

A situação até como arquétipo?)/

Um poeta escolhendo feijão/

Está em lavração errada/

As palavras ali não se serão/

Num peneirar de pedra limada/

Por isso os carunchos ficarão/

Além da situação impensada/

E nesse oficio ele é aleijão/

Como um porco, na feijoada

 

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A Identidade da Dor (Poema Para o Centenário da Imigração Japonesa)

 

Hiroshima ainda está lá

Como um espelho

Uma bomba não mata uma cidade

Uma identidade-povo

Uma idéia-espaço

 

Nagazaki ainda está lá

E reflete Hiroshima

Não pela radiação mas

Pelo que ambas foram e serão

 

Restos de Hiroshima

Ainda são Hiroshima

Como escombros de Nagazaki

Têm uma identidade silencial

 

Ninguém mata Hiroshima ou Nagazaki

Ninguém mata a vida

Ou uma identidade histórica e espacial de vida

 

A bomba não mata a dor

Do que restou da guerra

E essa dor que doerá infinitalmente

Será Hiroshima

Será Nagazaki

Porque a paz confere a dor

Perpetrada na lágrima

Como um desenho arquitetural na saudade

Que a luz lê em sangue

Nas flores de cerejeiras

Como haicais, no átomo

 

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La Vie En Rose

 

Leminski morreu de poesia

Ou de cirrose; se vivo fosse

Naturalmente um outro seria

             Talvez vencedor de posse

Caetano que fugiu pra Londres

Não morreu e se socorre

A escrever bugigangas hoje

             Como se nunca existisse

Hendrix, Joplin; até Cazuza

Se não morresse o que ser ia?

Lupíscinio não se fez num dia

              Só no infinital da boemia

Renato Russo, Torquato, Capinan

Um parafuso a mais tantas vezes

(Ou o anonimato de uma neura

             Em celeiros de burgueses?)

A vida é cor-de-rosa na juventude

Depois o decrépito vive amiúde

E na velhice a arte louca vegeta

             Artista, vanguardista, poeta

………………………………………………..

Morrer criando toda glosa

Em verso e samba e prosa

Foi o clímax de Noel Rosa

Idolatrado

 

Morrer de velhice por aí

É muito triste ao condena do

Feito Caimy ou Cauby

Cada um de si mesmo em si

Beirando ser esclerosado.

 

Melhor morrer no auge a criar, de overdose

Jovem portentoso – no suicídio ou na cirrose

 

Ou restar-se à decadência vil, pobre coitado

E à existência reles e comum ser condenado

 

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Tomar Chuva

 

Algumas vezes existi.

Algumas vezes tomei chuva.

Mas quando tomei chuva eu me senti um átomo da água e ali

Fui rio, nuvem, relâmpago, açude, cisterna, foz e quase voei.

 

Porque tomar chuva é integrar-se à natureza, ser parte dela

Conjugar o verbo haver no sentido mais pleno de seu assento

Eu a chuva e aalgumas lágrimas de alegria, êxtase e contentamento

Como se a minha alma-árvore se lavasse por dentro…

 

E fui chuva e guri e mar e senti minha alma flutuar numa nuvem-nau

Porque eu era a maravilhosa Chuva naquele bendito magno momento

 

Então a chuva me reconhecendo como parte dela (que o meu espírito o é)

Parou de ser peneiradinha naquele tardiscar cor de rosa-pitanga de Itara

E o lírio-laranja do sol se abriu e eu me vi ali

No fio-terra, o guri

Angelicalmente de alma lavada

Pronto para enfrentar a cara amarrada

Da vida distante que em busca de mim mesmo a peregrinar escolhi.

 

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MANDRAKE

 

O pai prendia a rua:

Cristão não brinca na rua.

O pai desinventava a bola de capotão

De Garrincha, Bellini, Rivelino, Pelé, Tostão.

Crente não joga bola,  Deus não gosta.

O pai desproporcionava a infância:

Ler gibis é pecado, não vai pro céu.

E eu era fã do Mandrake, Príncipe Valente,

Flecha Ligeira, Fantasma, Saci e Flash Gordon.

 

De tanto ler – em casa era castigo ler bastante

De dicionários e jornais à Bíblia

Fiz da minha imaginação uma rua aberta para além da humanidade.

Vi pegadas no céu. Tive rasuras de peregrinações.

Sempre fui muito grosso no futebol, cavalo mesmo.

Um perna de pau que sabia que ki-chute e unha encravada não combinavam< /strong>

Quando não, por ser crente, era um manteiga derretida, canela de vidro

Que mal sabia dar direito o drible da vaca louca.

 

Da Poesia fiz almanaque rueiro em fugas letrais

Gibis clandestinos povoaram minha abstração em lavouras-intimidades

Com entrudos de histórias em quadrinhos como se cinesmacope na almaavelã.

O poeta-caminheiro a escrever acontecências do arco da velha

Pomposos causos pra boi dormir

Entre invencionices desparafusadas e poemas em polaroid.

 

Assim vim pela vida sendo um guri eterno

Com medo de Deus, com medo do inferno

Chutando a pelota do amargo mundo legal

Para o desmundo das idéias, muito além da triste vida real

 

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Álbum de Figurinhas


 

Ai que saudades que eu tenho

Dos meus álbuns de figurinhas de coleção

Que eu cuidava todo trancham, todo pimpão

Quando guri lá em Itara

À sombra do lar and jazz

Que os anos não trazem mais.

 

Bolinho de piruá, capilé de groselha preta

O pai floreando o acordeão ou a clarineta

Eu com gibis do Tarzan ou do Flecha Ligeira

E o álbum que devidamente preenchido dava de brinde

De bola oficial de futebol a panela-de-pressão

 

Com meu belo ki-chute pretinho

Tomava crush de canudinho, e de boné

Jogava bate-bafo na rua descaa e rapelava

A petizada pidoncha da periferia de Itararé.

 

Um dia chorei de montão

Porque por mais que a vida por bem ou mal ensine

É a frustração na infância que a desilusão define:

 

– Deixei de ganhar uma bola da capotão

Porque na minha bendita coleção

Faltou uma figurinha carimbada do Belini.


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Silas Correa Leite, Itararé-SP

Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos (SP).

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ESTATUTO DE POETA – Silas Correa Leite

 

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     ESTATUTO DE POETA

 

Primeiro Rascunho Para um Esboço de Projeto Amplo, Total e Irrestrito

 

Silas Corrêa Leite

Artigo Um                                                                  

 

                   Todo Poeta tem direito de ser feliz para sempre, mesmo além do para sempre ou quando eventualmente o “para sempre” tenha algum fim.                              

Artigo Dois

                   Todo Poeta poderá dividir sua loucura, paixão e sensibilidade com mil amores, pois a todos amará com o mesmo prelúdio nos olhos, algumas asas nas algibeiras e muitas cítaras encantadas na alma, ainda assim, sem lenço e sem documento.

Parágrafo Único

                   Nenhum Poeta poderá ser traído, a não ser para que a ex-Musa seja infeliz para todo o resto dos dias que lhe caibam na tábua de carne desse Planeta Água.

Artigo Três

                   Nenhum Poeta padecerá de fome, de tristeza ou de solidão, até porque a tristeza é a identidade do Poeta,  a solidão a sua Pátria, sendo que, a fome pode muito bem ser substituída por rifle ou cianureto. E depois, um poeta não precisa de solidão para ser sozinho. É sozinho de si mesmo, pela própria natureza, com seus encantários, mundo-sombra e baladas de incêndio.

Artigo Quatro

A Mãe do Poeta será o magno santuário terreal de seus dias de lutas e sonhos contra moinhos e erranças de gracezas e iluminuras.

                   Filho de Poeta será como caule ao vento, cálice de liturgia, enchente em rio: deverá adaptar-se ao Pai chamado de louco por falta de  lucidez  de comuns mortais ou velado elogio em inveja espúria.

Artigo Quinto

                   Nenhum Poeta será maior que seu país, mas nenhuma fronteira ou divisa haverá para o Poeta, pois sua bandeira será a justiça social, pão, vinho, maná, leite e mel, além de pétalas e salmos aos que passaram em brancas nuvens pela vida. E depois, uns são, uns não, uns vão, uns hão, uns grão, uns drão – e ainda existem outros.

Artigo Sexto

                   A todo Poeta será dado pão, cerveja, amante e paixão impossível, o que naturalmente o sustentará mental e fisiológicamente em tempos tenebrosos ou de vacas magras, de muito ouro e pouco pão.

Artigo Sétimo    

                   Nenhum Poeta será preso, pois sempre existirá, se defenderá e escreverá em legítima defesa da honra da Legião Estrangeira do Abandono, à qual sabe pertencer, com seu butim de acontecências, ou seu não-lugar de, criando, ser, estar, permanecer, feito uma letargia, um onirismo.

Artigo Oitavo

                   A infinital solidão do espaço sempre atrairá os Poetas.

 

Artigo Nono

 

                   Caso o Poeta viaje fora do combinado, tome licor de ausência ou vá morar no sol, nunca será pranteado o suficiente, nem lhe colocarão tulipas de néon, dálias aurorais, estrelícias de leite ou dente-de-leão sob o corpo que combateu o bom combate. Será servido às carpideiras, amigos, parentes, anjonautas e guardiões, vinho de boa safra por atacado, mais bolinhos de arroz, pão de minuto e cuque de fubá salgado.

 

 

Artigo Décimo

 

                   Poeta não precisará mais do que o radar de seus olhos, as suas mãos de artesão sensorial no traquejo do cinzel interior, criativo, sua aura abençoada e seu halo com tintas de luz  para despojar polimentos íntimos em verso e prosa, como pertencimentos, questionários e renúncias.     

 

Artigo Décimo-Primeiro

 

Poeta poderá andar vestido como quiser, lutar contra as misérias e mentiras do cotidiano (riquezas impunes, lucros injustos), sempre buscando pela paz social, ou ainda mamando na utopia de uma justiça plural-comunitária. Quem gosta de revolução de boteco é janota boçal metido a erudição alcoólica e pseudo-intelectual seboso e burguês. Poeta gosta mesmo de humanismo de resultados. De pegar no breu. A luta continua!

 

 

Artigo Décimo-Segundo

 

                   Poeta pode ser Professor, Torneiro-Mecânico, Operário, Jardineiro, Fabricante de Bonecas, Vigia-Noturno, Engolidor de Fogo, Entregador de Raposas, Dono de Bar ou Encantador de Freiras Indecisas. Poeta só não poderá ser passional, insensível, frio ou interesseiro. Ao poeta cabe apenas o favo de Criar. O poeta escreve torto por linhas tortas (um gauche), poesilhas (poesia rueira e descalça) e ficção-angústia. Escreve (despoja-se) para não ficar louco…para livrar do que sente. O Poeta, afinal, é um “Sentidor”

 

Artigo Décimo-Terceiro

 

                   Se algum Poeta for acusado levianamente de alguma eventual infração ou crime, a dúvida o livrará. E se o Poeta dizer-se inocente isso superará palavras acima de todos e sua fala será sentença e lei. A ótica do Poeta está acima de qualquer suspeita, e ele sempre é de per-si mesmo o local do crime da viagem de existir. Mas pode colaborar com as autoridades, cometendo um crime perfeito. Afinal, só os imbecis são felizes.

 

 

 

Parágrafo Único

 

Poeta não erra. Refaz percursos. Poeta não mente. Inventa o inexistente, traduz o impossível,  delata o devir. Poeta não morre. Estréia no céu.

 

Artigo Décimo-Quarto

 

                   Aos Poetas serão abertas todas as portas, até as invisíveis aos olhos vesgos  e comuns dos mortais anônimos, serão abertos todos os olhos, todas as almas, todos os caminhos, todas as chamas, todos os cântaros de lágrimas e desejos, todos os segredos dessa dimensão ou fora dela, num desespelho de matizes.

        

 

Artigo Décimo-Quinto

 

                   A primeira flor da primeira aurora de cada dia novo, será declarada de propriedade do Poeta da rua, do bairro, do país ou de qualquer próximo Poeta a confeitar como louco, como ermitão ou pioneiro, de vanguarda. Em caso de naufrágio ou incêndio, poetas e grávidas primeiro

                  

Artigo Décimo-Sexto

                   Não existe Poeta moderno, clássico, quadrado, matemático como pelotão de isolamento, ou só aleijado por dentro, pois as flores e os rios não nascem nunca iguais aos outros, sósias, nem os poemas são tijolos  formais. Nenhum Poeta poderá produzir só por estética, rima ou lucro fóssil. Poesia não é para ser vendida, mas para ser dada de graça. Um troco, um soneto, uma gorjeta, um haikai, um fiado pago, uns versos brancos, um salário do pecado, um mantra-banzo-blues. E todo alumbramento é uma meia viagem pra Pasárgada.

 

                   Poeta é tudo a mesma coisa, com maior ou menor grau de sofrimento e lições de sabedoria dessas sofrências, portanto, com carga maior ou menor de visão, lucidez, sensoriedade canalizada entre o emocional e o racional, de acordo com a sua bagagem, seu vivenciar, seu prisma existencialista de bon vivant. Poeta há entre os que pensam e os que pensam que pensam. Entre os que são e os que pensam que são. A todos é dado a estrada de tijolos amarelos para a empreita de uma caminhada que o madurará paulatinamente. Ou não. Todo poeta é aprendiz de si mesmo, em busca de uma pegada íntima, e escreve para oxigenar a alma. Afinal, são todos sementes, e sabem que precisam ser flores e frutos, para recriarem, para sempre, a eterna primavera.

 

                   Todo aquele que se disser Poeta, assim o será, ou assim haverá de ser

                  

                  Parágrafo Um

 

                   O verdadeiro Poeta não acredita em Arte que não seja Libertação. Saravá, Manuel Bandeira!

 

Parágrafo Dois

 

Poeta bebe porque é líquido. Se fosse sólido comia.

 

Parágrafo Três

 

Poeta é como a cana. Mesmo cortado, ralado, amassado, ao ser posto na moenda dos dias, ainda assim tem que dar açúcar-poesia

 

Inciso Um

 

Poeta também bebe para tornar as pessoas mais interessantes.

 

Parágrafo quatro

 

Poeta não viaja. Poeta bebe. E todo Poeta sabe, que o fígado faz mal à bebida.

 

 

 

 

 

Artigo Décimo-Sétimo

 

Poeta terá que ser rueiro como pétala de cristal sacro, frequentador de barzinhos como anjo notívago, freguês de saunas mistas como recolhedor de essências, plantador de trigais amarelos como iluminador de cenários, cevador de canteiros entre casebres de bosquíanos, entre o arado e a estrela, um arauto pós-moderno como declamador de salmos contemporâneos entre extraterrestres.

 

                   Parágrafo Único

 

 

         Poeta rico deverá ainda mais amar o próximo como se a si mesmo, ajudando os fracos e oprimidos, os Sem Terra, Sem Teto, Sem Amor, para então se restar bem-aventurado e poder escrever cânticos sobre a condição humana no livro da vida. Poeta é antena da época. E o neoholocausto do liberalismo globalizador é o câncer que ergue e destrói coisas belas.

 

Artigo Décimo-Oitavo

 

A todo Poeta andarilho e peregrino como Cristo, São Francisco ou Gandhi, será dado seu quinhão de afeto, sua porção de Lar, seu travesseiro de pétalas de luz. Quem negar candeia, azeite e abrigo ao Poeta, nunca terá paz por séculos de gerações seguintes abandonadas entre o abismo e a ponte para a Terra do Nunca. Quem abrigar um Poeta, ganhará mais um anjo-da-guarda no coração do clã que então será abençoado até os fins dos tempos.

 

Parágrafo único

O sábio discute sabedoria com um outro sábio. Com um humilde o sábio aprende.

 

Artigo Décimo-Nono

 

Poeta poderá andar vestido como quiser, com chapéus de nuvens, pés de estrelas binárias ou mantras de ninhos de borboletas.  Nenhum Poeta será criticado por fazer-se de louco pois os loucos herdarão a terra e são enviados dos deuses. “Deus deve amar os loucos/Criou-os tão poucos…” – Um Poeta  poderá também andar nu, pois assim viemos e assim nos moldamos ao barro-olaria de nosso eio-Éden chamado Planeta Água. E a estética para o poeta não significa muito, somente o conteúdo é essência infinital.

 

Artigo Vigésimo

 

Poeta gosta de luxo também, mas deve  lutar por uma paz social, sabendo a real grandeza bela de ser simples como vôo de pássaro, simples como pouso em hangar fantástico, simples como beira de rio ou vão de cerca de tabuínha verde.  Só há pureza no simples.

 

Artigo Vigésimo-Primeiro

 

                   Nenhum Poeta, em tempo algum, por qualquer motivo deverá ser convocado para qualquer batalha, luta ou guerra. Mas poderá fazer revoluções sem violência.  Poderá também ser solicitado para ser arauto da paz, enfermeiro de varizes da alma ou envernizador de cicatrizes no coração, oferecendo, confidente, um ombro amigo, um abraço de ternura, um adeus escondido feito recolhedor de aprendizados ou visitador de bençãos, ou ser circunstancialmente um rascunhador clandestino de alguma ridícula carta de suicida.

 

 

Artigo Vigésimo-Segundo

 

                   Mentira para o Poeta significa cruz certa. Aliás, poeta na verdade nunca mente, só inventa verdades tecnicamente inteiras e filosoficamente sistêmicas…

 

Artigo Vigésimo-Terceiro

 

                   Musa-Vítima do Poeta será enfermeira, psicóloga, amante, mulher-bandeira, berço esplêndido, Santa. Terá que ser acima de todas as convenções formais, pau para toda obra. No amor e na dor, na alegria e na tristeza, até num possível pacto de morte.

 

Artigo Vigésimo-Quarto

 

                   Poeta não paga pensão alimentícia. Ou se está com ele ou contra ele. Filha e sobrevivente de uma relação qualquer, ficarão sob sua guarda direta e imediata. Ex-Mulheres serão para sempre águas passadas que não movem moinhos, como velas ao vento de uma Nau Catarineta qualquer, como exercícios de abstrações entre cismas, ou como aprendizados de dezelos íntimos de quem procura calma para se coçar.   

 

 

Artigo Vigésimo-Quinto

 

                   Revogam-se todas as disposições em contrário

                  

CUMPRA-SE – DIVULGUE-SE 

 

Brasil, Cinzas, 1998, Lua Cheia – Do jazz nasce a luz!

 

Poeta Silas Corrêa Leite, Educador e Jornalista –  Membro da UBE-União Brasileira de Escritores

 

(Texto traduzido para o espanhol pela Poeta Dr. Antonio Everardo Glez, de Durango, México) – Breve tradução para o inglês, francês e italiano.

 

 

E-mail: poesilas@terra.com.br – site com obras:  http://www.itarare.com.br/silas.htm

 

 

ASSIM ESCREVEM OS ITARAREENSES

 

 igrejaitarareceljordao

 

Artigo

Antologia de Prosa de Itararé

 

 

 

Ser Itarareense é, acima de tudo, um estado de espírito. Trazemos o DNA de Itararé na alma, nos sangue, no jeito  “Itarareense” de ser. Conheceu, papudo? O Artista de Itararé é mais artista. O homem mais bonito do Brasil, Carlos Casagrande, é de Itararé. Um dos melhores arranjadores (premiado) do Brasil é de Itararé, Maestro Gaya. Um dos maiores cartunistas do Brasil é de Itararé, Luiz Antonio Solda. E tem muito mais. O mais importante e portentoso artista do interiorzão desses brasis gerais é o Jorge Chuéri, de Itararé, Cidade Poema, Santa Itararé das Letras. Vá vendo, quero dizer, vá lendo. “Se Deus é brasileiro/Jesus Cristo também é/Deus do Rio de Janeiro/E o Jesus de Itararé”. Já pensou? O paulista de Itararé é mais paulista. Aliás, até o Paranaense Ferreira era um paulista de verve, porque era orgulho e honra de Itararé.  Itararé é isso: Bonita Pela Própria Natureza.

 

Por essas e outras, está pintando mais um livro para o acervo da chamada BRITA-Biblioteca Real de Itarareenses Andorinhas. O Livro ASSIM ESCREVEM OS ITARAREENSES, Primeira Antologia de Prosa de Itararé, com a Coordenação e Revisão Geral da Mestra Maria Apparecida S. Coquemala, Especialista em Lingüística, e deste vate que vos fala, quero dizer, escreve, está em fase final de formatação, antes de ir pro prelo. Convidamos todo mundo que escreve da Santa Terrinha, divulgamos a idéia-projeto por atacado e nos meios sócio-culturais, muitos foram chamados e poucos escolhidos, já que requisitos mínimos teriam que ser cumpridos, como qualidade da obra, bibliografia, prazos, atendimento às solicitações da Comissão Coordenadora. Cobranças que fizeram alguns se perderem pelo caminho, outros se esqueceram ou não responderam devidamente ao chamado. Sentimos a falta de alguns, claro, mas, no frigir dos ovos, Aleluia!, 14 nomes foram agregados finalmente e numa boa, com muita criatividade.

 

Nós que somos fãs do Poeta Pedro Ribeiro Pinto – por incrível que pareça nenhum livro com os trabalhos do mesmo foi lançado por descendentes do Clã – o homenageamos nessa obra, como tambem a Paulo Rolim, talentoso artista, visionário, valente coração de ouro, além do Patrono da Antologia e convidado de Honra Especial, o Artista Plástico Premiado Jorge Chuéri, maior patrimônio cultural de Itararé. Com o JC Itararé é mais bonita, mais graciosa, mais estupendamente de alto astral, pois o Jorge, claro, significa o espírito Itarareense, agrega valores, representando muito para as artes de Itararé Centenária, já que é simpático, brincalhão, bem-quisto, vencedor com as mãos limpas e o talento brilhante; muito querido por atacado nessa cidade de tantas andorinhas sem breque em que ele, o Jorge Chuéri é uma grande andorinha, um verdadeiro Taperá!

 

 

 

Se demorou tanto, como alguém pode achar que está demorando, foi exatamente porque tivemos que insistir nas cobranças (às vezes fica chato insistir), ora pedindo a foto 3 X 4 colorida devida, currículo, obra digitada com uma correção básica primordial. Lamentavelmente alguns não deram o retorno devido em tempo hábil, pré-estipulado. Queríamos alguns outros nomes, descobrir talvez alguns novos valores, mas o essencial por fim, é o que ficou, o que rendeu. Dificuldades. Vários atrasaram a viabilização do projeto como um todo. Como sei da historicidade quase inteirinha de todos os participantes, ficou fácil aqui e ali dar um arremete final, sempre com a revisão e representante local, em Itararé, a Maria Apparecida Coquemala, Rua Itaporanga, 52, Fone 015(15) 3531-2065, e e-mail maria-13@uol.com.br – Também posso ser contatado em Sampa pelo fone (011) 3726-9780 ou mesmo pelo e-mails poesilas@terra.com.br ou ainda silascorrea@bol.com.br

 

O livro terá em média 12 pgs por autor, uma página ou pg e meia para currículo, a idéia é ter tb na última página uma foto de cada autor com seu nome embaixo, estamos já pensando uma montagem de capa que agregue valores simbólicos e estéticos de Itararé, como Pinheiros, Andorinha, cacau quebrado (paralelepípedo), etc. Aceitamos sugestões, estamos sempre abertos para composições legais, porque uma andorinha só não faz verão, a bem dizer, uma andorinha só não faz nem outra Andorinha. Queremos tudo num mosaico da chamada Literatura Itarareense: Somas. Bem exatamente dentro do chamado espírito Itarareenses, quando somos todos um, visamos o congraçamento lítero-cultural.

 

Os participantes (14) a priori são: Dorothy Jansson Moretti, Jorge Chuéri, José Rodolfo Klimek Depetris Machado, Lazara Aparecida Fogaça Bandoni, Luís Carlos Ferreira da Silva, Maria Aparecida Melo, Maria Apparecida S. Coquemala, Maria de Lourdes Luciano Nonvieri, Moacyr Medeiros Alves, Sebastião Pereira Costa,  Silas Corrêa Leite, Terezinha Mello Martins, Zunir Pereira de Andrade Filho. Como observam,  importantes nomes da nossa terra-mãe, alguns deles com um livro editado, muitos com mais de um livro, alguns premiados, inclusive com prêmios no exterior. Como diria o Gonzaguinha “Gente mais maior de grande”.  Bonito. Gracioso. Um amor por Itararé, afinal, a prosa de Itararé é afiada,  um encanto mesmo, de causos a ficções, de crônicas a memórias,  de narrativas a inventários letrais com garbo. Afinal, Itararé tem muita história pra contar, já que a própria história do Brasil passa por aqui. Sempre haverá Itararé!

 

Capa, estilo, cores, orelhas, prefácios, análise crítico-literária do conjunto da obra pela Mestra Coquemala, troca de idéias, mudanças, acertos, um pandareco. Cada trabalho trazendo a personalidade do autor, suas características, das contações de palha do Ze Maria (de Santa Cruz), a memórias de Terezinha Iluminada e Irmã Cida, passando por enfoques surrealista, micro-contos e outras criações. A Antologia ASSIM ESCREVEM OS ITARAREENSES será bancada em regime de cooperativa, cada autor pagando o quantum de páginas constar, com todos os trabalhos sendo avaliados; eventualmente aqui e ali acertado a forma estética ou mesmo corrigido pela revisora oficial Coquemala. Afinal, feliz é o povo que produz e consome  sua própria cultura. Bem-vindo a bordo. Estamos de vento em popa. E quem quiser que conte outra.

 

Silas Correa Leite, e-mail: poesilas@terra.com.br

Blogue: www.portas-lapsos.zip.net

 

Veja (inscreva-se)  http://www.grupos.com.br/blog/literaturaitarareense/

Veja também: http://itararedasletras.blogspot.com/

Ou ainda: http://artistasdeitarare.zip.net/

Ou orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Home.aspx

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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